Quinta-feira, 16 de abril de 2026
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Em entrevista à France TV nesta quinta-feira (11/09), Jean-Luc Mélenchon, líder do partido França Insubmissa (LFI, na sigla em francês), defendeu a destituição do presidente francês Emmanuel Macron. “É um dever revoltar-se contra um monarca. O sr. Macron negou o resultado das eleições de 2024”, afirmou.

A LFI apresentou na última terça-feira (09/09), uma moção para destituir o presidente francês. A medida assinada inicialmente por 80 deputados conta com 104 assinaturas, afirmou Mélenchon. “Este é um evento significativo. Em 2024, Marine Le Pen salvou Macron ao impedir que nossa moção fosse votada na Assembleia Nacional”, avaliou.

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No documento, publicado no site da LFI, os parlamentares afirmam que Macron é “manifestamente incompatível com o exercício de suas funções”, destacando “sua incapacidade de assegurar a estabilidade das instituições, respeitar a soberania popular e garantir o funcionamento regular dos poderes públicos”.

Entre vários pontos críticos à gestão Macron, a moção destaca o agravamento da dívida pública do país em 1 trilhão de euros desde 2017, alcançando 114% do PIB. “Essa situação é consequência direta das enormes concessões fiscais aos mais ricos e às multinacionais – 75 bilhões de euros por ano em perdas de receita – que permitiram às 500 maiores fortunas francesas dobrar seu patrimônio em oito anos”, afirmam os parlamentares.

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Mélenchon defende deposição de Macron: ‘é dever revoltar-se contra um monarca’
Fabio Rodriguez Pozzebom /Agência Brasil

Crise

A moção se baseia no artigo 68 da Constituição francesa, que prevê um mecanismo excepcional para casos de graves descumprimentos. Para avançar, a proposta precisaria de 289 votos, a maioria absoluta dos 577 deputados na Assembleia Nacional para, em seguida, ser apreciada em votação conjunta com o Senado.

Caso alcance os dois terços dos sufrágios, é formada uma Alta Corte que pode julgar o presidente por eventuais falhas em seus deveres constitucionais. Macron já reiterou que não pretende renunciar e concluirá seu mandato até 2027.

Nas redes sociais, a líder da bancada da LFI na Assembleia Nacional, Mathilde Panot, detalhou a composição dos apoios: 86 deputados da LFI, 19 ecologistas e 9 do Grupo Democrático e Republicano (GDR). “Aumenta a pressão, Macron deve partir”, declarou Panot, convocando a população a pressionar seus representantes para ampliar o número de assinaturas.

A ofensiva ocorre após a renúncia do ex-primeiro-ministro François Bayrou, que deixou o cargo na última segunda-feira (08/09), após 364 votos contrários à moção de confiança pedida pelo ministro para a aprovação de sua proposta orçamentária.

O presidente francês nomeou Sébastien Lecornu como novo premiê, mas a LFI já anunciou uma moção de censura contra ele. No dia 10 de setembro, milhares de manifestantes protestaram contra os cortes orçamentários previstos para 2026 sob o lema “Bloqueemos tudo”, que resultaram em confrontos com as forças de segurança e mais de 300 detenções.