Três dias depois da detenção de Joaquín “El Chapo” Guzmán, líder do cartel de Sinaloa, a Justiça mexicana deu início aos procedimentos legais contra aquele que era considerado o traficante de drogas mais procurado do mundo.
Nesta terça-feira, o chefe da Agência de Investigação Criminal da Procuradoria-Geral da República, Tomás Zerón, afirmou que foram concluídos testes forenses, genéticos e de fisionomia que provam ser Guzmán o homem detido no sábado.
Agência Efe

Procuradoria-Geral do México fez uma apresentação com as provas de que Guzmán foi realmente preso no sábado
Além disso, o Quinto Juizado de Distrito de Processos Penais no Estado do México ditou ontem o “auto de prisão formal”, que implica o início do julgamento penal contra Guzmán “como provável responsável na comissão do delito de delinquência organizada”, acusação incluída em uma causa aberta em 2009.
No entanto, o tribunal descartou iniciar um processo contra o réu pela acusação de “delito contra a saúde na modalidade de posse com fins de comércio, na hipótese de venda de cloridrato de cocaína”, incluída na mesma causa, “por não estar demonstrada sua provável responsabilidade” nesse crime.
Pouco antes o Terceiro Juizado de Distrito em Matéria de Processos Penais no Estado do México também tinha ordenado o indiciamento de Guzmán “por sua provável responsabilidade no delito de delinquência organizada” com fins de narcotráfico, em uma ação aberta em 2011.
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Guzmán ainda tem pendentes mais acusações acumuladas desde que fugiu de um presídio de alta segurança em janeiro de 2001, que incluem crimes contra as leis sobre armas de fogo, operações com recursos de procedência ilícita e outros.
O governo mexicano já começou a dialogar com os Estados Unidos sobre a possibilidade de extraditar o narcotraficante, pois também existem diversas acusações contra Guzmán em território norte-americano.
O ministro de Interior, Miguel Ángel Osorio, disse que o pedido será estudado assim que for formalizado, mas destacou que antes as autoridades mexicanas requerem “muita informação” do réu para “seguir adiante” no processo contra a insegurança no México.
Posteriormente, “o gabinete de segurança terá que reunir-se para tomar a determinação que melhor convenha”, acrescentou.
Agência Efe

Militares mexicanos ao deterem o narcotraficante no sábado
Por sua parte, o procurador-geral mexicano, Jesús Murillo, disse que nesta terça-feira falou com seu colega dos EUA, Eric Holder, sobre o assunto. “É muito antecipado dar uma opinião agora, eu diria que, pelo menos em breve, não acho que aconteça [a extradição]”, opinou Murillo.
Por ora, “El Chapo” já obteve do Oitavo Juizado de Distrito de Amparo em Matéria Penal no Distrito Federal uma “suspensão” de qualquer ordem de extradição.
Trata-se de uma proteção provisória enquanto se realiza o julgamento de amparo promovido pela defesa do réu para evitar sua extradição.
“El Chapo” Guzmán fugiu em 2001 da penitenciária de Puente Grande, Jalisco (oeste), considerada de segurança máxima, escondido em um carro de lavanderia. Além de ser o narcotraficante mais procurado pelos Estados Unidos, ele é considerado pela revista Forbes o criminoso mais poderoso do mundo. Pela captura de Guzmán, a justiça mexicana oferecia uma recompensa de 30 milhões de pesos (2,3 milhões de dólares), enquanto os EUA ofereciam cinco milhões de dólares.
(*) com Agência Efe

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