Milhares de pessoas se despediram do lutador Muhammad Ali nesta sexta-feira (10/06) em Louisville, no Estado de Kentucky, nos EUA. Um cortejo pelas ruas da cidade natal do atleta e uma cerimônia fúnebre aberta ao público reuniram cidadãos anônimos e personalidades públicas para homenagear a lenda do boxe.
O próprio lutador, semanas antes de sua morte, no dia 3 de junho, decidiu o roteiro da cerimônia, que se tornou não só uma comemoração da vida e do legado de Muhammad Ali como também uma celebração da diversidade e da integração entre diferentes povos, religiões e etnias.
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Representantes do islamismo, judaísmo, cristianismo e budismo se revezaram no altar erguido em um estádio da cidade, cujas arquibancadas foram ocupadas por mais de 15 mil pessoas, que puderam retirar seus ingressos para o evento gratuitamente, como Ali determinou, na última semana em Louisville.
Agência Efe

O imã Zaid Shakir no centro da cerimônia fúnebre de Ali, rodeado por representantes de outras religiões
A cerimônia começou com uma leitura de um trecho do Corão, livro sagrado do islamismo, pelo imã Zaid Shakir, e seguiu com o pastor Kevin Cosby, que ressaltou o orgulho negro de Ali, “que amou as pessoas negras quando as pessoas negras tinham dificuldade em amar elas mesmas”. “Antes que James Brown cantasse ‘sou negro e tenho orgulho disso’, Muhammad Ali disse: ‘sou negro e sou lindo’”, afirmou o pastor.
O rabino Michael Lerner fez um pronunciamento com forte teor político, com referências explícitas aos pré-candidatos à Presidência dos EUA Donald Trump (republicano) e Hillary Clinton (democrata). “Não vamos tolerar políticos desqualificando muçulmanos”, disse o rabino, que também pregou contra o uso de drones pelas Forças Armadas do EUA, o encarceramento em massa e o financiamento de grandes empresas a campanhas políticas.
Barack Obama, presidente dos EUA, e sua esposa, Michelle, não puderam comparecer à cerimônia, mas foram representados por Valeria Jarrett, assessora da Presidência, que leu uma declaração do casal. “Muhammad Ali era a América: ousado, desafiador, pioneiro, alegre. Ele foi nossas liberdades mais básicas – religião, expressão, espírito”, afirmaram os Obama.

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Membros da família de Ali, como sua esposa Lonnie Ali e duas de suas filhas também se pronunciaram na cerimônia, assim como Ambassador Shabazz, filha de Malcolm X, amigo e forte influência política do lutador. Entre as personalidades públicas estiveram o ator Billy Cristal, que afirmou que sua primeira aparição televisiva, em 1974, ele deve a Ali, e o locutor esportivo Bryant Gumbel, que afirmou que Ali “nos deu a força e a coragem que nem sabíamos que tínhamos”.
Agência Efe

Bill Clinton durante pronunciamento na cerimônia fúnebre: 'Ali aperfeiçoou dons que todos nós temos'
O ex-presidente dos EUA Bill Clinton, também amigo do lutador, foi o último na longa lista de personalidades a homenageá-lo, o que segundo ele teria sido uma escolha deliberada de Ali. “Imagino Ali dizendo: ‘tem que ter pelo menos um presidente a me homenagear, e vou deixá-lo no fim para garantir os aplausos’”, brincou Clinton.
“A primeira metade da vida de Ali foi dominada pelo triunfo de seus dons verdadeiramente únicos”, disse o ex-presidente. “Mas na segunda metade de sua vida, ele aperfeiçoou dons que todos nós temos”, afirmou em referência à luta de Muhammad Ali com o mal de Parkinson, diagnosticado em 1984, e as complicações da doença.
Antes da cerimônia no estádio, o corpo do lutador foi levado em um cortejo fúnebre que foi acompanhado por 100 mil pessoas nas ruas da cidade de Louisville, segundo a prefeitura. A comitiva de 17 limusines que acompanhou o carro fúnebre percorreu as ruas de Louisville, em um percurso de 35 quilômetros, que incluiu a avenida batizada de Muhammad Ali , um dos inúmeros locais da cidade que têm o nome do pugilista. A comitiva também passou em frente a dois prédios que fazem parte da infância de Muhammad Ali: a casa em que morou e a escola onde estudou.
Agência Efe

Mural “I am Ali” (“Eu sou Ali”) recebe homenagens a lutador em sua cidade natal, Louisville
*Com Agência Brasil