A missão de observadores árabes examinou neste sábado (31/12) a situação nos maiores centros da revolta síria, enquanto a oposição reúne esforços para fechar um acordo entre seus principais grupos para desenhar um período de transição.
Os observadores enviados pela Liga Árabe para verificar no terreno o cumprimento de sua iniciativa para pôr fim à crise visitaram as cidades de Homs e Hama, no centro, Idlib, no norte, e Deraa, no sul, os principais redutos da oposição ao presidente Bashar al Assad.
O chefe de Operações da missão, Adnan Issa al Jodeir, disse aos jornalistas na sede da Liga Árabe no Cairo que os observadores circulam com liberdade pelos locais e visitam os presos políticos nas prisões.
Embora sejam coordenados e protegidos pelas autoridades sírias, estas não interferem nos planos de visita, segundo Jodeir.
Enquanto isso, os grupos opositores divulgaram um vídeo no qual um dos observadores, vestido com um colete laranja, expressa sua preocupação pela existência de franco-atiradores que afirma ter visto com seus próprios olhos.
“Se os franco-atiradores não forem embora em 24 horas serão tomadas outras medidas”, declarou em tom de ameaça sobre possíveis novas sanções da Liga Árabe ao regime de Damasco, cuja repressão deixou desde o início da revolta, em março deste ano, mais de cinco mil mortos, segundo as Nações Unidas.
Um oficial sírio, Ahmed Hajj Ali, rejeitou estas declarações e garantiu que o que o observador descreveu são “forças de segurança – e não franco-atiradores – que se encontram no terreno para manter a ordem no país”.
A missão, à qual se unirão nos próximos dias 20 observadores dos países do CCG (Conselho de Cooperação do Golfo) e outros tantos do Iraque, pretende verificar o cumprimento do plano árabe que estipula a cessação da violência, a libertação dos detidos nos protestos e o recuo militar, entre outros pontos.
Novos protestos
Apesar da continuação da violência e do ceticismo com que alguns opositores receberam a missão árabe, milhares de sírios saíram às ruas nestes dias para mostrar aos observadores sua oposição ao regime.
Neste sentido, o membro da executiva da opositora Coordenadora Nacional das Forças da Mudança Democrática, Khalaf Dawoud, comentou à Agência Efe que “a presença de observadores nas zonas quentes estimula as pessoas a se manifestarem”.
O grupo de Dawoud, que representa majoritariamente a denominada “oposição interna”, vê de forma “positiva” a missão dos observadores e confia que estes “divulgarão a verdade sobre o que ocorre na Síria”.
Nem todos os opositores são tão otimistas e muitas vozes criticaram neste sábado os obstáculos impostos à missão, como impedir que os civis entrem em contato com os observadores.
Segundo os Comitês de Coordenação Local, em algumas localidades da província meridional de Deraa as forças de segurança detiveram familiares das vítimas para evitar que falassem com os observadores e em Hama um grande número de policiais foi desdobrado perto do hotel que aloja a delegação.
A estas medidas se soma a continuação da violência contra os manifestantes que hoje terminou com pelo menos nove mortos, três deles em Homs.
Enquanto isso, a oposição no exílio e a interna, que discordavam em alguns assuntos, aproximaram suas posturas com um acordo para estabelecer os fundamentos do sistema que seria instaurado caso Assad fosse retirado do poder.
Após meses de conversas, o Conselho Nacional Sírio e a Coordenadora Nacional da Forças da Mudança Democrática assinaram nesta sexta (30) à noite no Cairo um acordo que será apresentado oficialmente neste domingo na Liga Árabe.
Os principais pontos do pacto são a rejeição à intervenção estrangeira e à militarização da revolução, assim como a proteção dos civis.
Quanto às medidas a serem adotadas se o regime for derrubado, o acordo estabelece que se instaure um sistema democrático, parlamentar e multipartidário na Síria.
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