Sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
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“O momento tão aguardado por ativistas de esquerda brasileiros e familiares de vítimas do coronavírus chegou”, escreveu, nesta terça-feira (25/11), o jornal El País sobre o início da pena de 27 anos de prisão por Jair Bolsonaro por “liderar uma conspiração golpista”.

O periódico espanhol que o ex-presidente brasileiro “está agora tecnicamente preso, mas sem sair um centímetro da cela onde está detido em Brasília”.

Ao dar destaque aos “problemas gastrointestinais” de Bolsonaro, a publicação afirmou que o ex-presidente cumprirá pena no local “levando em conta sua idade e saúde frágil”, consideradas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), — órgão classificado pelo jornal como um “grande defensor da democracia”.

O El País também escreveu que o juiz, “considerado pelos apoiadores de Bolsonaro seu pior inimigo, negou o pedido da defesa para que Bolsonaro cumpra a pena em prisão domiciliar”.

“A figura proeminente da direita brasileira está, portanto, confinada em condições semelhantes às impostas ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018, evitando ser transferida para um presídio de segurança máxima ou uma instalação militar”, comparou o texto.

Segundo o El País, “se Bolsonaro cumprisse toda a sua pena na prisão, seria libertado após quase 100 anos [de idade]”, detalhando que, segundo o direito penal brasileiro, o ex-presidente deve cumprir pelo menos 25% ou seis anos em regime fechado. Após esse período, teria “permissão para trabalhar”, mas está “está impedido de concorrer a cargos públicos desde 2023”, escreveu, lembrando de sua inexigibilidade.

“Seu afastamento da vida pública e o silêncio imposto pelo juiz o enfraqueceram politicamente. Os esforços de seus filhos e de seu partido para aprovar uma lei de anistia ou uma redução de pena no Congresso — que o livraria da prisão ou ao menos diminuiria sua punição — fracassaram até agora”, analisou ainda.

Para o El País, nem a “formidável pressão exercida pelo presidente [dos Estados Unidos] Donald Trump, na forma de ameaças, tarifas e sanções econômicas contra juízes, não conseguiu salvar seu aliado e impedi-lo de ser responsabilizado por tentar subverter a ordem constitucional”

De acordo com a publicação, “as instituições brasileiras demonstraram notável resiliência diante das ameaças e agressões do político mais poderoso do mundo”.

“Condenação definitiva”

O francês Le Monde afirmou que Bolsonaro começou a cumprir sua sentença, tornando “definitiva sua condenação” após “esgotar todos os recursos cabíveis contra sua condenação”.

“O ex-capitão do Exército, que mobilizou os conservadores brasileiros para se tornar presidente em 2019 e remodelou a política do país, agora terá que cumprir uma longa pena de prisão”, escreveu o jornal.

“Instituições brasileiras demonstraram notável resiliência”, escreveu El País sobre prisão de Bolsonaro
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A publicação também resgatou o histórico da prisão domiciliar, desde agosto, e a preventiva, ordenada pelo STF no sábado (22/11), pela violação da tornozeleira eletrônica.

“Prisão gerou júbilo”

O jornal britânico The Guardian noticiou que “o populista de extrema-direita, que governou a maior democracia da América Latina de 2019 a 2022” começará a cumprir sua pena de 27 anos “por conspiração para golpe de Estado no Brasil”.

A publicação também chamou atenção para o “quarto de 12 metros quadrados em uma base policial” em Brasília onde o ex-mandatário começará a cumprir sua pena. Também lembrou que “a conspiração criminosa” tinha como objetivo impedir que o presidente Lula assumisse o poder em 2023, além de planejar sua morte.

O Guardian resgatou o histórico de prisão domiciliar de Bolsonaro, desde agosto, e também sua prisão preventiva, ordenada pelo STF no último sábado (22/11).

A publicação também relembrou os demais condenados na trama golpista e suas penas. “A prisão de Bolsonaro gerou júbilo entre os brasileiros progressistas que lembram seus quatro anos de governo como um período calamitoso de devastação ambiental, isolamento internacional e hostilidade às minorias. Centenas de milhares de brasileiros morreram durante o surto de covid-19, que Bolsonaro foi acusado de ter gerenciado de forma catastrófica com sua postura anticientífica”, escreveu.

“Conspiração fracassou”

O jornal norte-americano New York Times referiu-se à tentativa de golpe de Estado liderada pelo ex-presidente Bolsonaro como “uma conspiração fracassada para se manter no poder após a derrota nas últimas eleições”.

Segundo o periódico, o tribunal federal rejeitou o pedido da equipe de defesa do ex-presidente, impedindo que Bolsonaro cumprisse a pena em regime domiciliar por conta de seus “problemas de saúde relacionados a complicações de um ataque a facadas sofrido em 2018”.

Por fim, o NYT relembrou casos de outros ex-presidentes brasileiros, como Fernando Collor, que está preso atualmente cumprindo uma pena “de quase nove anos por corrupção no início deste ano, embora tenha sido transferido para prisão domiciliar pouco mais de uma semana depois devido a problemas de saúde”.

“Semana agitada e tensa”

Já o jornal israelense The Times of Israel noticiou que a condenação de Bolsonaro deve desencadear “uma semana agitada e tensa”. A publicação refere-se à fala do senador e filho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro, sobre “continuar pressionando pela aprovação de um projeto de anistia”. Apesar da declaração, o jornal enfatizou que esta “iniciativa perdeu força nos últimos meses”.

Além disso, o periódico destacou a fala de Flávio, que é “pré-candidato à Presidência nas eleições do ano que vem”, declarando que o pedido de anistia para Bolsonaro será relembrado “durante todo o ano de 2026”.

Agências de notícias como a espanhola EFE, a inglesa Reuters e demais jornais como o colombiano El Espectador, também repercutiram a notícia. O alemão Deutsche Welle chamou a medida de “decisão histórica” que ocorreu quase três anos após o 8 de janeiro de 2023, quando “manifestantes depredaram a Praça dos Três Poderes numa tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022”.