Quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
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Na Venezuela para a Cúpula dos Povos pela Paz e Contra a Guerra, a russa Alesya Khalyapina e a cazaque Taissiya Marmontova defenderam a construção de uma ordem mundial multipolar e a ampliação da cooperação com países da América do Sul.

Durante o evento, as representantes da Rússia e do Cazaquistão no evento que ocorreu em Caracas destacaram a importância do diálogo entre diferentes regiões e criticaram o que chamaram de “postura imperialista” das potências ocidentais.

A Opera Mundi, Khalyapina, integrante do Instituto Público Russo de Direito Eleitoral, disse que esta era sua primeira visita ao país sul-americano e enfatizou a relevância política do encontro que reuniu milhares de personalidades políticas e ativistas do Sul Global. Para ela, a cúpula foi realizada em um momento de mudanças globais profundas.

Segundo ela, os povos do Terceiro Mundo não devem ficar “parados” esperando que o “mundo seja como os países imperialistas tentam ser os chefes e dizer o que você deve fazer”. A diretora executiva da entidade russa afirmou que a construção de um cenário multipolar já está em curso e que essa transformação inclui a atuação conjunta de países que não aceitam a predominância das potências ocidentais.

“Estamos criando um novo mundo, um mundo multipolar, e isso é muito importante. E todos os países ocidentais devem saber que nós somos o poder também, e temos opinião”, disse.

Khalyapina também criticou os Estados Unidos e países europeus, afirmando que, historicamente, “tentavam apenas ganhar dinheiro, apenas fazer negócios, e não se preocupavam com as pessoas, como elas viviam e o que elas queriam”. Para ela, direitos humanos “não são importantes” para essas potências, que “simplesmente fazem o que querem”.

Apesar disso, a representante russa destacou que a nova geração deseja um futuro diferente e deve ter o direito de participar desse processo: “é muito importante que as pessoas digam o que querem e o que querem para o futuro”.

a russa Alesya Khalyapina e a cazaque Taissiya Marmontova

Taissiya Marmontova e Alesya Khalyapina estiveram pela primeira vez em Caracas para Cúpula dos Povos

Novas conexões

Do Cazaquistão, Marmontova, professora da Universidade Internacional de Astana e diretora do Instituto de Estudos de Integração Regional, afirmou à reportagem que sua presença no encontro marcou sua primeira visita à Venezuela e abriu espaço para novas conexões entre América do Sul e Ásia Central.

Marmontova afirmou ver “tantas semelhanças entre as pessoas da América do Sul e as pessoas da Ásia Central” e destacou que Venezuela e Cazaquistão se comportam no cenário internacional como “potências médias”, capazes de construir redes de cooperação.

De acordo com a pesquisadora, a Cúpula dos Povos também representa “uma chance de criar uma nova ordem mundial multipolar e justa”. Em sua avaliação, o Cazaquistão tem buscado atuar como mediador internacional e como país comprometido com a convivência pacífica.

“O Cazaquistão é um país que mantém a paz. Criamos um espaço de multipolaridade, uma chance para muitas pessoas viverem entre si sem guerras e conflitos”, afirmou, recordando que o país abriga mais de 100 nacionalidades e que sua própria origem — “metade de sangue russo e metade de sangue cazaque” — reflete essa diversidade.

A representante cazaque destacou ainda que espera aprofundar os laços entre Caracas e Astana após o evento. “Espero que isso contribua para que a Venezuela e o Cazaquistão desenvolvam uma conexão para melhorar nossas relações. Na minha opinião, podemos entender o mundo de forma igualitária”, disse.