Apenas alguns dias após sua nomeação, o novo primeiro-ministro da Coreia do Sul, Ahn Dae-hee, renunciou nesta quarta-feira (28/05), depois de ter sido acusado de enriquecimento ilícito.
Ahn anunciou em entrevista coletiva que renuncia ao posto porque não quer se transformar “em uma carga para o governo”, devido às críticas recebidas por ter se beneficiado de seu cargo público anterior para negócios pessoais, informou hoje a agência local Yonhap.
O ex-juiz do Tribunal Supremo, de 59 anos, foi nomeado primeiro-ministro na quinta-feira pela presidente sul-coreana, Park Geun-hye, e aguardava o respaldo do parlamento à nomeação.
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Ahn Dae-hee era a proposta do governo para substituir o até então primeiro-ministro interino, Chung Hong-won, que renunciou em 27 de abril, 11 dias depois do acidente com o Sewol, após “assumir todas as responsabilidades” pela “má gestão” do Executivo, intimidado pelas críticas dos familiares das vítimas e dos meios de comunicação.
Ahn, por sua vez, foi questionado por enriquecer graças a um escritório de advocacia que abriu há seis meses e cuja atividade teria visto favorecida por seus contatos e conhecimentos como ex-juiz do Tribunal Supremo.
Ele deixou o cargo à disposição de de Park e afirmou que doará 1,1 bilhão de wons (quase US$ 2 milhões) a organizações beneficentes.
Sua renúncia elevou ainda mais a instabilidade política que vive Coreia do Sul desde o trágico naufrágio em 16 de abril do ferri Sewol, que deixou mais de 300 mortos e provocou forte indignação na sociedade sul-coreana pelos erros nos mecanismos de prevenção de desastres e pela resposta das autoridades.
Park pediu desculpas ao país e anunciou a reestruturação de sua equipe de governo e reformas em diversas áreas para melhorar a segurança, acabar com “práticas incorretas e doentes na sociedade e o setor público” e evitar futuros acidentes.