ONU condena atentados na Colômbia; ataques de guerrilhas deixaram 18 mortos
Ações de grupos guerrilheiros na Antioquia e no Valle del Cauca feriram 70 pessoas e levaram governo Petro a classificar gangues de narcotráfico como terroristas
A Organização das Nações Unidas (ONU) condenou os dois atentados ocorridos na Colômbia na última quinta-feira (21/08), que deixaram ao menos 18 mortos e 70 feridos, pedindo pelo “fim da violência” e por “justiça”.
“Condenamos firmemente esses atos de violência. Nossa solidariedade às vítimas e suas famílias”, declarou a ONU em um comunicado, reiterando a urgência de proteger os civis e levar os responsáveis à justiça.
Em Amalfi, na Antioquia, um helicóptero da polícia foi abatido por um drone durante uma operação para fechar uma plantação de coca na região, resultando na morte de 12 policiais e ferindo outros oito.
O outro ataque ocorreu mais tarde em Cali, no Valle del Cauca. Foram lançadas duas bombas cilíndricas contra a Base Aérea Militar Marco Fidel Suárez, deixando seis mortos e 60 feridos. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram veículos em chamas, casas destruídas e pânico entre a população. Ao todo, oito pessoas foram presas nas operações policiais.
Governo Petro classifica facções do narcotráfico como terroristas
Os dois casos fizeram o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, convocar uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança e anunciar uma série de medidas. Entre elas, a solicitação de “que todas as facções da Junta do Narcotráfico sejam consideradas terroristas e processadas em qualquer lugar do mundo”.
El Presidente @PetroGustavo anunció que solicitará que las bandas de la Junta del Narcotráfico sean consideradas terroristas y perseguidas en cualquier lugar del planeta.
Además, el mandatario advirtió que las disidencias de Iván Mordisco, junto a los mal llamados ‘Clan del… pic.twitter.com/U7jwaXMqEt
— Presidencia Colombia 🇨🇴 (@infopresidencia) August 22, 2025
Petro também solicitou a mobilização das Forças Armadas na região da Cordilheira Ocidental com o objetivo de expandir a atuação dos militares em corredores usados por grupos armados. “Vamos fechar a passagem entre as diversas estruturas armadas que operam no sudoeste da Colômbia”, afirmou Petro.
A ideia é também manter o Posto de Comando Unificado (PMU) na região, que funciona como um centro de controle das forças de segurança e do governo para reunir informações em tempo real e coordenar ações das polícias em determinada região.
O governo aponta que, em Cali, os ataques foram realizados por “gangues narcotraficantes” com atuação internacional e com vinculação a grupos dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
“Estamos enfrentando máfias organizadas com conexões mexicanas, albanesas e italianas. Este não é um confronto político, mas uma luta pelo controle do narcotráfico “, disse o presidente.
Petro relacionou os ataques às operações com a Frente Carlos Patiño, grupo dissidente das Farc que integra o Estado Maior Central (EMC), e disse que essas ações foram uma resposta contra a apreensão de mais de 250 mil cartuchos de munição pelas Forças Armadas em Cauca.

Após ataques, Petro classificou facções da Junta do Narcotráfico como terroristas
Fotografía oficial de la Presidencia de Colombia/Flickr
A vice-ministra da Defesa, Ana Catalina Cano, reforçou que há uma ligação também de outro grupo dissidente, a Segunda Marquetália, e o Clã do Golfo, organização de tráfico internacional. Ela afirmou que essas agrupações “são consideradas organizações terroristas, processadas em qualquer lugar do mundo por crimes contra a humanidade”.
Já em Antioquia, o ministro da Defesa, o general aposentado Pedro Sánchez, disse que os responsáveis pelo ataque são do Clã do Golfo. “Todas as forças policiais foram mobilizadas para garantir a retirada de pessoal terrestre, fornecer apoio aéreo e neutralizar os criminosos responsáveis. Eles não cederão ao terror. Nos levantamos e avançamos de mãos dadas com toda a Colômbia para desmantelar esses criminosos e proteger a vida do nosso povo”, afirmou.
As prefeituras de Valle de Cauca e Cali ofereceram uma recompensa de 400 milhões de pesos (cerca de US$ 90 mil) por informações que possam indicar a autoria dos ataques.
Ainda que não tenha uma confirmação das autorias, a inteligência colombiana entende que a lógica segue um padrão da Frente Carlos Patiño, que costuma atacar instalações militares e policiais. Em março, foram oito ataques simultâneos contra diferentes instalações em Cauca. Já em junho, duas pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas em novos ataques no estado de Cauca.
Diálogo entre governo Petro e as guerrilhas
Os ataques vêm na esteira de uma escalada de conflitos na Colômbia, que minaram os diálogos promovidos por Petro com as guerrilhas e grupos armados no país. Em janeiro, uma crise na região do Catatumbo levou ao deslocamento de mais de 40 mil pessoas em decorrência de conflitos entre o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as dissidências das Farc.
O diálogo permanente com os grupos armados é uma das políticas implementadas por Petro desde o início do mandato dele, em 2022. O presidente transformou a “Paz Total” em uma política de Estado, a partir da aprovação da Lei nº 418, que firma o compromisso da Colômbia em manter contato para negociar o fim dos confrontos com os grupos armados.
Em 2023, o Estado colombiano e o ELN chegaram a assinar um cessar-fogo, dando continuidade ao processo de paz iniciado em 2016. Mas tensões com dois dos principais grupos guerrilheiros da Colômbia estremeceram os planos de paz do governo: o envolvimento do ELN no sequestro do pai de um famoso jogador de futebol colombiano e a saída, ainda que momentânea, do Estado Maior Central (EMC) das mesas de negociação.
Em fevereiro deste ano, autoridades da Colômbia denunciaram que as duas guerrilhas estavam violando o acordo de trégua firmado nas negociações de paz. Já o ELN acusa o Estado colombiano de sabotar o processo de paz. Hoje, as conversas entre o grupo guerrilheiro e o Executivo estão suspensas.
As declarações do governo ainda levantam dúvidas sobre a continuidade dos diálogos, que foram estabelecidos nesta semana, entre o governo colombiano e o Clã do Golfo. As negociações começaram no Catar com o objetivo de estabelecer um cessar-fogo e limitar a atuação do grupo em território colombiano.
As operações também acontecem dois meses depois de um ataque que matou o senador Miguel Uribe. Ele foi baleado durante um ato público em Bogotá. Os autores não foram identificados, mas há suspeitas sobre a participação de grupos criminosos.
(*) Com Ansa e Brasil de Fato























