Palestino que tocava piano para refugiados na Síria decide fugir para Europa
Em junho, Opera Mundi mostrou a história de Aeham Ahmad, que usava seu piano para levar um pouco de arte para refugiados em campo de Damasco; Ahmad conta que deixou Yamourk porque era a única possibilidade de ajudar sua família
Aeham Ahmad, o pianista de Damasco que usou a música como ato de rebelião ao fanatismo do Estrado Islâmico e à guerra civil na Síria – e que teve sua história mostrada por Opera Mundi no final de junho deste ano – decidiu deixar o campo de refugiados de Yarmouk, no último dia 13, em direção à Europa, destino de outros milhares que escapam da Síria todos os dias. Ele ficou famoso por levar um piano ao campo e tocar para os que lá estão.
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A decisão do palestino foi anunciada no seu perfil no Facebook, em uma foto em que aparece vestindo um colete salva-vidas:
Caro Mediterrâneo, sou Ayham e gostaria de percorrer suas ondas sem qualquer risco. As pessoas daqui querem apenas chegar na Europa, pagando os olhos da cara por isso. Elas viajam em botes propensos a afundarem em poucos segundos, entregando suas vidas aos seus profundos cânions. Então, qual poderia ser a solução? Gostaríamos que a Turquia abrisse as fronteiras com a Grécia e nos deixasse passar de maneira segura, sem que precisássemos dos barcos da morte.
Em entrevista a Opera Mundi, Ahmad conta que deixou Yamourk porque era a única possibilidade de ajudar sua família. Ele partiu sozinho, já que é mais fácil obter um visto humanitário dessa maneira e, só depois, buscar o resto da família com a certeza de que não serão repatriados.
Neste momento, Ahmad se encontra em uma casa na cidade de Izmir, na Turquia com outros refugiados. “Somos em tantos, não só palestinos, mas sírios, iraquianos e afegãos. O lugar onde dormimos é horrível, nos amontoamos no chão sujo, cheio de baratas”, conta.
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A cidade é local para um grande número de pessoas tentando embarcar para a Europa. Devido ao fluxo intenso, pessoas dormem nas ruas. “Muitos sírios estão dormindo em becos e nas ruas, esperando para embarcar”. O aumento de pessoas não passou despercebido pelos traficantes, que agora cobram US$ 1.250 (cerca de R$ 4.800) pela travessia.
Divulgação

Ahmed com o piano que levava ao campo de refugidos perto de Damasco
Ahmad conta que o embarque nessa época do ano é mais difícil porque o mar é muito agitado. “Estamos esperando uma noite de mar calma para poder embarcar. As pessoas lutam para subir nos barcos quando conseguem partir.” Ele diz que outras pessoas preferem atravessar a Grécia a pé, “mas a polícia turca as impede de chegarem a Edirne, cidade que fica próxima a fronteira com a Grécia”.
O pianista palestino diz estar preocupado com a viagem. “Não paro de pensar em como será essa viagem da morte. Não é nada fácil estar nessa situação”.
Assim como muitos refugiados, Ahmad usa o celular para se comunicar com familiares e amigos que estão se mobilizando para ajudá-lo. Ele tenta manter atualizado o perfil no Facebook. Algumas pessoas disponibilizam seus números de telefone, outras dão indicações do que fazer e outras simplesmente o ajudam compartilhando seus posts e sua história para o mundo.
Ahmad é pela segunda vez um refugiado. Assim como seu filho, ele nasceu em Yarmouk, o maior campo de refugiados palestinos da Síria. Sua família foi para lá em 1948. Mas, após quatro anos de guerra e destruição, a vida no campo ficou extremamente difícil. Yarmouk já chegou a abrigar 150mil pessoas – hoje são menos de 18 mil.
























