Panamá: popularidade do governo cai quase 20 pontos em um mês
Panamá: popularidade do governo cai quase 20 pontos em um mês
A popularidade do presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, sofreu uma queda de 17,3 pontos no último mês. Em janeiro, 68,5% dos panamenhos consideraram a gestão “boa” ou “muito boa”, frente a 85,8% em dezembro de 2009. Ao mesmo tempo, a porcentagem dos que consideram o governo “ruim” subiu de 13,4% para 21,9%, de acordo com uma pesquisa feita pela consultoria Dichter & Neira para o canal TVN Noticias.
Entre os principais questionamentos da população, de acordo com a sondagem, realizada entre 5 e 7 de fevereiro, estão a insegurança, a pouca transparência da gestão de Martinelli e o custo elevado de vida. Segundo a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), 30% dos panamenhos vivem na pobreza, sendo 17% na pobreza extrema.
Alejandro Bolíviar/EFE (03/02/2010)

Membros do grupo Cruzada Civilista, que lutou para combater a ditadura do Panamá (1968-1989), protestam contra
o governo do presidente Ricardo Martinelli
O governo afirmou ser comum o registro de queda na popularidade após sete meses de governo. Luis Eduardo Camacho, membro do Partido Panamenho, integrante da Aliança pela Mudança, que levou Martinelli à presidência em julho de 2009, afirmou que o governo analisará os resultados da pesquisa e serão formuladas soluções para os temas específicos evidenciados nos resultados.
Para Raúl Leis, sociólogo e fundador do CEASPA (Centro de Estudos e Ação Social Panamenha), parte da queda de Martinelli é produto da insatisfação popular com a falta de mudanças nas instituições políticas do Estado. “As pessoas não querem mais o acúmulo de poder, corrupção, mas sim a democratização do poder. Estão começando a perceber que há uma diferença entre o que é prometido e o que é feito”, escreveu em artigo publicado no jornal La Estrella.
Leis lembrou que o tema da transparência foi uma das principais bandeiras da campanha de Martinelli, assim como a segurança. Nos últimos anos, o Panamá, que possui 3,3 milhões de habitantes, viu o índice de assassinatos crescer de 444 em 2007 para 593 em 2008. O país se tornou, por sua formação geográfica, um importante ponto da rota do narcotráfico sul-americano em direção aos Estados Unidos. Segundo a pesquisa, 44,2% dos entrevistados disseram que a violência é o principal problema, seguido do custo de vida (15,9%) e da transparência (2,6%).
A Frente Nacional pela Defesa dos Direitos Econômicos e Sociais (Frenadeso), organização panamenha não-governamental, afirmou a jornalistas que “ao se abordar temas como segurança, custo de vida, ingerência do Estado sobre outros órgãos, transparência, corrupção, entre outros, o rechaço da população às políticas governamentais é muito maior, produto do descontentamento e da frustração provocados com o governo, sua prepotência e as falsas promessas”.
Israel
O momento pelo qual passa o governo sofreu influência também da questionada decisão de contratar especialistas israelense para capacitar membros do SPI (Serviço de Proteção Institucional) para o ensino de táticas e estratégias para a segurança do presidente.
De acordo com o porta-voz do governo, Alfredo Prieto, a decisão de reforçar as medidas de segurança se deve aos temores surgidos depois que, em janeiro, o Ministério Público começou a investigar um suposto plano para seqüestrar Martinelli.
A respeito desse tema, a Frenadeso enviou uma carta ao presidente para que sejam esclarecidos os detalhes relacionados à presença de militares de Israel no Panamá e se existem vínculos entre a empresa de segurança e o serviço de inteligência israelense.
A presença de agentes israelenses na América Central não é novidade. Em dezembro de 2009, o Partido Nacional de Honduras contratou o espanhol José Félix Ramajo, instrutor da ISA (Academia de Segurança Internacional, na sigla em inglês) em Israel, para proteger o presidente Porfirio Lobo.
*Colaborou Marina Terra
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