A reforma tributária anunciada na noite de quinta-feira (26/04) pelo presidente do Chile, Sebastián Piñera, foi considerada “mínima” e “insuficiente” pela oposição, para quem ela não atingirá as grandes empresas.
O deputado Carlos Montes, do opositor Partido Socialista, classificou os anúncios como um “ajuste menor” e acusou o governo de proteger a grupos de interesse ao invés de dar passos efetivos em direção a um maior equilíbrio.
“Com estes recursos não é possível avançar decididamente em direção a uma maior equidade nem na educação, nem em outras áreas como saúde, moradia e desenvolvimento urbano”, declarou Montes, acrescentando que a reforma educacional tampouco avança.
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O deputado afirmou que “os 700 milhões de dólares que se projeta obter com esta modificação são uma espécie de donativo se comparado com os 3 bilhões de dólares arrecadados pelos bancos em 2011 ou os 2,7 bilhões que a Minera Escondida ganhou”.
O presidente, que falou em cadeia de rádio e TV, destacou que esta reforma financiará uma maior cobertura e uma melhor educação. Piñera ressaltou ainda o aumento do imposto sobre o lucro, entre 17% e 20%, para as empresas e a eliminação de isenções tributárias.
A reforma ainda permitirá que as famílias de classe média tenham um desconto de até 50% dos impostos sobre os gastos com a educação de seus filhos.
Também serão reduzidos os impostos dos selos e carimbos, e os que incidem sobre o crédito, o que, de acordo com Piñera, “vai beneficiar diretamente 2,8 milhões de pessoas e mais de 390 mil pequenas e médias empresas”.
O senador do partido governista UDI (União Democrática Independente), Hernán Larraín, comentou por meio de seu perfil no Twitter que a proposta tributária “segue em boa direção”, mas que ainda é pouco abrangente.
Larraín ainda pediu para que a oposição, que governou o país durante 20 anos (1990-2010), “não se aproveite [da situação]”. “Não fizeram reforma tributária. Não sejam oportunistas”, acusou.