Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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Milhares de pessoas saíram às ruas do Egito nesta sexta-feira (19/07) pedindo o retorno do presidente deposto, Mohamed Mursi, ao poder, em meio a advertências dos militares de que haveria repressão a protestos violentos.

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No dia denominado “sexta-feira da vitória”, milhares de pessoas se concentraram nas praças de Rabea al Adauiya e de Al-Nahda, levando imagens de Mursi e cartazes contra o golpe militar que o depôs no último dia 03 de julho. Várias manifestações saíram de mesquitas para essas praças, o epicentro dos protestos islamitas, enquanto outras saíram em direção a lugares sensíveis como a sede da Guarda Republicana e o Ministério da Defesa.

Agência Efe

Soldados bloqueiam rua no Cairo, impedindo a passagem de partidários de Mursi

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A situação tensa é evidenciada pelas demonstrações de poder por parte das Forças Armadas egípcias: duas formações de caças sobrevoaram Cairo e Alexandria depois das orações do meio-dia, sendo que quatro helicópteros do Exército circularam sobre as cidades e cinco voaram logo acima dos telhados das casas na capital, carregando bandeiras do Egito.

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Por enquanto, os protestos provocaram poucos distúrbios, sendo que a coalizão pró-Mursi liberou hoje uma declaração pedindo para seus partidários aderirem a um “comportamento civilizado”. “Para todos os homens e mulheres egípcios livres: protestem contra o golpe militar sangrento”, dizia o anúncio. 

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Entretanto, no último dia 08, 51 pessoas morreram e mais de 400 ficaram feridas em frente à sede da Guarda Republicana, em confrontos entre islamitas e soldados, o que suscita temores de uma nova onda de violência. Também se teme um possível choque entre partidários e opositores de Mursi, já que estes últimos convocaram manifestações para o começo da noite, após o jejum do Ramadã.

Manifestações ocorrem no mesmo dia em que ONU anunciou querer enviar missão ao país

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Quase cem pessoas foram mortas em confrontos desde que Mursi foi deposto. O nome “sexta-feira da vitória” dado tanto por partidários quanto por opositores de Mursi para o dia de hoje tem origem na data considerada pelo Egito como a da vitória na Guerra do Yom Kippur, ou Guerra do Ramadã, contra o Israel, em 1973. 

Intervenção da ONU

A eclosão de novas manifestações a favor de Mursi ocorre um dia depois de o presidente interino do Egito, Adly Mansur, ter prometido restaurar a estabilidade no país e na mesma data em que a ONU anunciou ter pedido às autoridades egípcias permissão para enviar uma missão ao país.

“A alta comissária, Navi Pillay, informou às autoridades egípcias no dia 10 de julho que gostaria de criar um grupo para acompanhar a situação no país de forma imediata, assim que for concedida a autorização”, disse em entrevista coletiva o porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Rupert Colville.

Agência Efe

Manifestantes pró-Mursi interrompem protestos para rezar no Egito no dia de hoje (19/07)

Colville explicou ainda que Pillay pediu informações sobre as pessoas presas ou com ordens de prisão relacionadas aos acontecimentos do dia da deposição de Mursi e também esclarecimentos sobre a detenção do ex-presidente e de sua equipe de governo. Ela também teria exigido detalhes sobre a composição da equipe criada pelo governo interino egípcio para investigar o massacre de 50 islamitas no último dia 8 de julho.

“Os pedidos foram transmitidas por escrito para o atual governo egípcio dois dias depois, na sexta-feira 12 de julho, mas ainda não recebemos nenhuma resposta”, esclareceu Colville.

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