O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, considerou muito importante, porém insuficiente a libertação de 10 reféns pelas FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) nesta segunda-feira (02/04). Segundo Santos, a libertação é um gesto que deve ser valorizado, mas não significa que um acordo de paz entre o grupo e o governo colombiano esteja pronto para ser implementado.
Efe

Missão humanitária, formada por colombianos, brasileiros e membros do CICV posam junto aos libertados
“Essa libertação e, sobretudo, o compromisso assumido pelas FARC de não voltar a cometer sequestros é um gesto que valorizamos em toda sua dimensão. Sem dúvida, é um passo na direção correta, um passo muito importante. Mas, como já dissemos, não é suficiente”, afirmou o presidente.
A imprensa colombiana chegou a noticiar que a libertação dos 10 militares e policiais faria parte de um acordo de paz entre as partes, intermediado por Cuba e pela Venezuela. Santos, no entanto, não confirmou se houve um avanço neste processo.
“No momento em que o governo considerar que existam condições suficientes e garantias para que se inicie um processo que leve ao fim do conflito, o país saberá. Enquanto isso, tudo que tem sido dito em reportagens não é nada mais que especulações”, concluiu o presidente, que ainda agradeceu o Brasil e o CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) pela participação no resgate dos reféns.
Para o analista Ariel Ávila, da Corporación Nuevo Arco-Íris, a libertação dos dez reféns é um “gesto contundente” das FARC que, a partir de agora, deverão cobrar um diálogo mais efetivo com o governo do país.
“Claro que o governo não responderá rapidamente com um chamado à paz, mas vivemos um momento em que os dois lados parecem querer caminhar para isso”, afirmou, em entrevista à BBC Brasil.
Piedad Córdoba e o ex-presidente Ernesto Samper pediram a Santos que o governo colombiano reconheça o gesto das FARC como um ato de boa vontade.
Efe

Governo colombiano colocou médicos e psicólogos a disposição dos militares libertados
Libertação
O resgate aconteceu às 16h15 (horário local) desta segunda e contou com a participação de dois helicópteros e 22 soldados do Exército brasileiro. A missão humanitária foi formada também por membros do CICV, além da ex-senadora Piedad Córdoba, presidente da ONG Colombianos por la Paz e interlocutora das FARC.
Como havia sido combinado, as FARC levaram os reféns até uma região da selva colombiana próxima à cidade de Mapiripán, no departamento de Meta. Segundo informações do exército colombiano, a viagem dos sequestrados até o ponto em que seriam libertados pode ter durado até dois meses. As FARC surpreenderam, no entanto, pois se acreditava que a libertação seria feita em duas etapas, com duração de pelo menos dois dias.
Após o encontro com a missão humanitária, que contava ainda com dois generais colombianos – um do Exército e outro da Polícia -, os reféns receberam fotografias atuais de seus familiares para ajudar no processo de identificação.
A grande maioria dos reféns e policiais sequestrados já estava há 14 anos sob o poder das FARC. O tenente Wilson Rojas Medina, por exemplo, reencontrou a filha de 17 anos, que tinha apenas quatro quando ele foi sequestrado.
Ganharam liberdade nesta segunda-feira os policiais e militares César Augusto Masso, Luiz Antonio Beltrán, Carlos José Duarte, Jorge Romero, Jorge Trujillo Solarte, José Libardo Forero, Luis Arturo Arcia, Robinson Salcedo Guarín, Wilson Rojas Medina e Luis Alfredo Moreno.
Já a bordo do avião da missão humanitária, eles foram levados para Villavicencio, capital de Meta, onde se reencontraram com seus familiares. O governo colombiano informou que colocou médicos e psicólogos à disposição dos recém-libertados. O cessar-fogo do exército colombiano na região terminou na manhã desta terça-feira, às 6h locais.
Apesar da libertação dos militares, as FARC continuam com centenas de civis sob o seu poder. Não há números oficiais, mas de acordo com a ONG País Libre, existem 405 civis sequestrados sob o poder das FARC. ONG e parentes dos reféns civis pediram nesta segunda-feira que esses prisioneiros não sejam esquecidos a partir de agora. Os parentes pedem ainda que as FARC liberem uma lista com os nomes daqueles que ainda estão com a guerrilha ou que informem onde aqueles que já morreram foram enterrados.

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