Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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Durante audiência da Corte Constitucional colombiana desta quinta-feira (25/07), o presidente Juan Manuel Santos fez, pela primeira vez, um reconhecimento público da responsabilidade do Estado nos crimes cometidos ao longo dos 50 anos de de conflito. “O Estado colombiano foi responsável, em alguns casos por omissão e em outros por ação direta de alguns de seus agentes, de graves violações dos direitos humanos e infrações do DIH (Direito Internacional Humanitário)”, afirmou Santos. 

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Agência Efe

Santos durante audiência da Corte Consitucional. Ele afirma que Estado violou o Direito Internacional Humanitário

O presidente defendia o modelo do Marco Jurídico para a Paz, reforma desenhada pelo Congresso para promover a transição da Colômbia de um país em conflito para uma nação em paz. A medida estabelece que, diante da impossibilidade de investigar e julgar todos os responsáveis por delitos durante o conflito, é necessário se concentrar nos maiores culpados.

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Alguns críticos da reforma argumentam que ela abre portas para a impunidade. Santos respondeu que “não abre espaço para a impunidade, mas satisfaz da maneira mais ampla possível os direitos das vítimas em um conflito altamente desumano”, afirmando não se tratar de “sacrificar a justiça para conseguir a paz, mas de como conseguir a paz com o máximo de justiça”.

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“Se estamos verdadeiramente chegando ao fim do conflito, os membros das FARC [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia] e do ELN [Exército de Libertação Nacional], e os desmobilizados das autodefesas (paramilitares), responsáveis por violações dos direitos humanos e infrações do DIH, também deverão assumir sua própria responsabilidade. Isso é fundamental”, acrescentou.

Juan Manuel Santos afirmou que houve violações de direitos humanos durante o conflito civil com as guerrilhas

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“Não temos garantia de êxito”, admitiu Santos. “Se fracassarmos, tenham a certeza de que usaremos todos os mecanismos do Estado para proteger todos os colombianos. Vamos para a frente com ou sem as FARC, com ou sem o ELN”.

O governo mantêm conversas de paz com as FARC desde novembro do ano passado, em Havana. Na última terça-feira (23/07), Santos acusou a guerrilha de cometer uma “violação flagrante” aos compromissos assumidos durante esses diálogos, ao sequestrar um norte-americano que viajou à Colômbia como turista.

Na audiência, convocada para analisar se o Marco Jurídico para a Paz está de acordo ou não com a Carta Magna colombiana, tanto o Senado quanto o Supremo Tribunal do país se pronunciaram a favor da reforma. “Estamos diante de uma possibilidade real, a meu ver a melhor de nossa história, de acabar com o conflito armado interno”, disse o presidente, que também insistiu no apoio internacional para o processo que está em andamento, porque “a paz na Colômbia é também a paz no continente”.

Ontem (24), o Centro Nacional de Memória Histórica da Colômbia entregou ao presidente Santos o relatório “Basta, Já! Colômbia: Memórias de Guerra e Dignidade”, em que revela que 220 mil pessoas foram mortas pelo conflito armado no país desde 1985 até março deste ano. O documento destaca que a maioria das vítimas, 166.069, é civil. O restante, mais de 40 mil, é de membros do Exército e da guerrilha, além de paramilitares.

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