Presidente do Irã pede que forças de segurança não atirem em manifestantes
Ministério do Interior iraniano abriu investigação após suposto confronto entre policiais e ativistas; protestos iniciados por comerciantes chegam ao seu 11º dia
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian pediu nesta quarta-feira (07/01) às forças de segurança que “não tomem nenhuma medida contra os manifestantes”, que devem ser diferenciados dos “vândalos”. A declaração foi dada no âmbito do 11º dia de protestos pelo país, iniciados na semana passada, contra o custo de vida elevado e a desvalorização da moeda local, problema decorrente das sanções impostas pelo Ocidente.
“Pezeshkian ordenou que nenhuma medida de segurança seja tomada contra os manifestantes e aqueles que participam dos protestos”, declarou o vice-presidente iraniano, Mohammad Jafar Ghaempanah, após uma reunião de gabinete. “Aqueles que portam armas de fogo, facas e facões e atacam delegacias de polícia e instalações militares são vândalos, e é preciso fazer uma distinção entre manifestantes e vândalos”.
Na terça-feira (06/01), de acordo com o jornal New York Times, Pezeshkian ordenou uma investigação sobre violência em protestos na província ocidental de Ilam, após um vídeo que parecia mostrar forças de segurança atirando em manifestantes. Sobre isso, o Ministério do Interior informou o envio de uma delegação para apurar os confrontos.
De acordo com os veículos de comunicação iranianos, que fazem menção a comunicados oficiais, foram registrados 15 mortes desde domingo (28/01), entre membros das forças de segurança, um policial e civis.
Na semana passada, o presidente norte-americano Donald Trump ameaçou, por meio da plataforma Truth Social, estar “pronto” para intervir no território iraniano caso Teerã adote medidas agressivas contra seus manifestantes, Em resposta, o governo iraniano alertou:
“Qualquer mão intervencionista que ataque a segurança do Irã sob qualquer pretexto estará exposta a uma resposta”, escreveu o conselheiro do líder supremo do país, Ali Shamkhani, na rede social X. “A segurança nacional do Irã é uma linha vermelha, não um assunto para postagens irresponsáveis”.
Por sua vez, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Ali Larijani, disse que qualquer interferência norte-americana sob um “regime sanguinário e colonialista” nos assuntos internos teria amplas consequências regionais e colocaria em risco os interesses dos Estados Unidos. O alto funcionário descreveu as declarações do republicano como contendo “alegações insolentes” e “ameaças hipócritas”.
“Consideramos as posições dos comerciantes em protesto separadas das dos elementos destrutivos, e Trump deve saber que a interferência dos EUA nesse assunto interno significaria desestabilizar toda a região e destruir os interesses dos EUA”, afirmou. “O povo norte-americano deveria saber que Trump iniciou o aventureirismo. Eles devem estar atentos à segurança de seus soldados”.

Masoud Pezeshkian ordenou que nenhuma medida de segurança seja tomada contra os manifestantes nos protestos, que chegam ao seu 11º dia
Reprodução/khamenei.ir
Protestos em Teerã
Os protestos tomaram proporções quando o rial iraniano foi despencando para novos recordes de baixa em relação ao dólar norte-americano. De acordo com a emissora catari Al Jazeera, a moeda local tem “diminuído rapidamente” nas últimas semanas, à medida que os Estados Unidos e seus aliados ocidentais aumentam suas sanções e pressão diplomática, além da possibilidade de uma nova guerra eclodir com Israel.
Conforme os veículos estatais, os protestos começaram com a participação majoritária de comerciantes do Grande Bazar de Teerã e, na terça-feira, estudantes também se uniram aos atos, concentrando-se em quatro universidades da capital.
O Centro de Estatísticas Iraniano informou que, em dezembro passado, os preços aumentaram 52% em média, em termos anuais. Segundo a RFI, “o rial perdeu quase metade do valor em um ano” e chegou a atingir um mínimo histórico de 1.400.000 rials por dólar, segundo dados compilados por plataformas online. “A inflação chegou a 42,5% em dezembro”, complementou.
(*) Com Ansa
























