Atualizado às 16h01
O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, anunciou nesta terça-feira (24/09) o fim o ataque ao centro comercial Westgate, em Nairóbi, capital do Quênia, invadido e ocupado desde o meio-dia de sábado (21) por terroristas somalis do grupo radical Al Shabab. “Humilhamos e derrotamos os invasores”, afirmou em pronunciamento em rede de televisão.
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Kenyatta também informou que, desde sábado, foram contabilizadas as mortes de 61 civis, seis membros das forças de segurança do Quênia e cinco terroristas, o que eleva para 72 o total de mortos no cerco do Wesgate, embora ainda possa haver mais corpos que ainda não foram contabilizados. “Como nação, nossa cabeça está sangrando, mas não tombada”, disse, afirmando que as perdas causadas por esta crise foram “imensas”. Foram também confirmadas as detenções de outros milicianos.
Agência Efe

Fumaça sai do shopping center Westgate, em Nairobi, Quênia, após a polícia afirmar que a situação estava sob controle
Na noite desta segunda (23), o governo queniano tinha anunciado ter “retomado o controle” do shopping. No entanto, novos disparos e uma explosão foram ouvidos pela manhã, pouco depois de a polícia local ter afirmado que a situação estava sob controle e avisado às pessoas através do microblog Twitter que elas já poderiam comparecer ao estacionamento do shopping center para recolher os carros.
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Segundo informações da agência EFE, ocorreu pelo menos uma explosão no interior do centro, e os tiroteios voltaram a ocorrer com frequência.
Também se utilizando do Twitter, o Al Shabab afirmava pela manhã que ainda detinha reféns vivos, contradizendo a polícia queniana.
“Há um número incontável de mortos ainda espalhados dentro do shopping, e os mujahedins (combatentes) ainda mantêm posição no #Westgate”, disse o grupo em sua conta no Twitter (@HSM_PR). “Os reféns que estão sendo mantidos pelos mujahedins dentro do #Westgate ainda estão vivos, parecendo bem desorientados, mas, ainda assim, vivos”.

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A polícia queniana anunciou que estava desativando explosivos colocados pelos islâmicos no interior do edifício. Segundo o exército, três soldados que participavam das operações de resgate foram mortos.
Um membro das forças especiais quenianas que participou dos combates afirmou que a intervenção era dificultada pelo fato de os criminosos se esconderem nas lojas do centro comercial. Os terroristas “queimaram colchões para desviar a atenção e tentaram fugir”, disse o chefe do Exército do Quênia, o general Julius Waweru Karangi.
Estrangeiros
Karangi também informou que os terroristas eram de “diferentes nacionalidades”. Segundo a ministra de Relações Exteriores do Quênia, Amina Mohamed, entre eles há dois ou três norte-americanos e uma britânica.
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A britânica – que, segundo a ministra, teria participado em muitas ocasiões de ações armadas – foi identificada pela polícia como Samantha Lewthwaite, viúva de um dos terroristas suicidas dos atentados de 7 de julho de 2005 em Londres.
Os norte-americanos seriam “homens jovens, de 18 e 19 anos, de origem somali ou árabe, mas que vivem nos Estados Unidos, em Minnesota e em outro local”, acrescentou a ministra em declarações à rede de televisão americana PBS.
Já os representantes da Al Shabab negaram essa versão. “Aqueles que descrevem os agressores como norte-americanos ou britânicos são pessoas que não sabem o que está acontecendo no prédio de Westgate”, disse um dos integrantes à agência de notícias Reuters. De acordo com posts mais recentes da organização, essa história é uma tentativa do governo do Quênia em ganhar apoio do governo britânico. “Negamos categoricamente o envolvimento de mulheres nessa operação”, afirmou um post. “Temos um número adequado de jovens homens que estão completamente comprometidos não empregamos nossas irmãs em operações militares como essa”.
Segundo outro post, o Al Shabab também afirmou que “não tem qualquer intenção de matar mulheres e crianças e fei tudo em seu alcance para retirá-los do local antes do ataque”.
A tensão em torno do centro comercial chega ao seu quarto dia, onde ao menos 62 pessoas morreram. O ataque é reivindicado pelo Al Shabab como represália pela intervenção militar queniana na vizinha Somália, lançada no fim de 2011, que tem como um dos objetivos combater a milícia, que controla regiões do país.
O governo somáli pediu ajuda internacional para obter informações sobre os responsáveis pelo ataque.