Espanha: procurador renuncia após ser culpado por vazar informações confidenciais
Empresário González Amador, namorado da governadora de Madri, teve seus dados vazados quando era investigado por suposta fraude fiscal
O procurador-geral da Espanha, Álvaro García Ortiz, anunciou nesta segunda-feira (24/11) sua renúncia ao cargo, em coletiva realizada na sede do Ministério Público, em Madri.
A decisão ocorreu após o Supremo Tribunal tê-lo considerado culpado pelo vazamento de informações confidenciais em um caso envolvendo o empresário Alberto González Amador, investigado por operar um mega esquema de evasão fiscal.
O caso teve grande repercussão no país, tanto no que diz respeito ao possível crime quanto o vazamento das informações, porque o protagonista está envolvido com uma influente política da direita conservadora: a governadora da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, do Partido Popular (PP).
A renúncia de García Ortiz pode afetar politicamenteo o primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário (PSOE, por sua sigla em espanhol), principal líder da esquerda no país ibérico, que nomeou o procurador-geral em 2022, e que vinha defendendo sua inocência no caso do vazamento.
Em uma carta enviada ao ministro da Justiça, Félix Bolaños e divulgada pela agência Reuters, García Ortiz afirma que sua decisão de renunciar ao cargo foi motivada por um “profundo respeito” pelas decisões judiciais, e que a decisão é uma “consequência direta da sentença”.
Em outro trecho, o agora ex-procurador afirmou que se sente confiante por, segundo ele, ter feito “o melhor para a instituição, com uma vocação inequívoca para o serviço público, um senso de dever e lealdade institucional”.

Primeiro-ministro, Pedro Sánchez, foi nomeada por Álvaro García Ortiz em 2022
Procuradoria-Geral da Espanha
Consequências políticas
Neste domingo (23/11), o premiê Pedro Sánchez afirmou que “respeita e acata” a decisão do Tribunal Supremo contra García Ortiz, mas acrescentou que “eu posso manifestar minha discrepância sobre a orientação” da sentença.
“Eu a manifesto (a discrepância) porque acredito na inocência do procurador-geral”, enfatizou o primeiro-ministro socialista espanhol.
A declaração ocorre em um cenário no qual o primeiro-ministro vem enfrentando pressões políticas devido a investigações envolvendo familiares de opositores políticos, como Ayuso.























