Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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A promotoria do Vaticano pediu nesta segunda-feira (04/07) a condenação do jornalista italiano Gianluigi Nuzzi, autor de um livro sobre as finanças da Igreja Católica, a um ano de prisão, no processo conhecido como “Vatileaks 2”, que investiga o vazamento de documentos secretos da Santa Sé. Para o também jornalista Emiliano Fittipaldi, outro réu no processo, a acusação pediu sua absolvição por falta de provas.

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Baseado na lei que criminaliza a divulgação de informações e documentos sigilosos, criada em 2013 pelo papa Francisco, o procurador-adjunto Roberto Zannotti argumentou que Nuzzi cometeu “cumplicidade moral” na divulgação de arquivos sigilosos, por meio de sua “presença e disponibilidade”, que contribuíram para “reforçar o propósito da revelação das notícias nos sujeitos que a forneceram”.

Agência Efe

Os jornalistas Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi a caminho da audiência no Vaticano nesta terça-feira (04/07)

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Os documentos foram entregues ao jornalista pelo monsenhor espanhol Lúcio Ángel Vallejo Balda, pelo seu assistente Nicola Maio e pela consultora Francesca Immacolata Chaouqui, que também estão sendo processados. Para eles, o procurador-adjunto pediu penas de três anos e um mês, um ano e nove meses e três anos e nove meses de prisão respectivamente.

Promotoria pediu um ano de prisão para Gianluigi Nuzzi; para Emiliano Fittipaldi, outro jornalista réu no processo, a acusação pediu absolvição por falta de provas

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Os três trabalhavam na Comissão de Estudos sobre as Atividades Econômicas do Vaticano (Cosea), órgão criado pelo papa Francisco em 2013 para monitorar as finanças da Santa Sé, mas já dissolvido. De lá saíram os arquivos que abasteceram livros lançados no fim de 2015 por Nuzzi e Fittipaldi. 

O primeiro é autor de “Via Crucis”, que relata as investidas do pontífice argentino contra os dirigentes que comandaram as finanças da Igreja nos anos anteriores à sua chegada ao poder. “Os custos estão fora de controle”, “Há armadilhas” e “Se não sabemos cuidar do dinheiro, como cuidaremos da alma dos fiéis?” são algumas das frases atribuídas a Jorge Bergoglio.

Já Fittipaldi escreveu “Avarizia” (“Avareza”), livro que, baseado em documentos confidenciais, traça os primeiros mapas do império financeiro da Santa Sé e denuncia gastos luxuosos por parte de membros do clero. Entre outras coisas, o volume conta como centenas de milhares de euros foram usados em voos de primeira classe, roupas sob medida e móveis de luxo. Outra denúncia acusa o Instituto para as Obras de Religião (IOR) de conter quantias destinadas a ações de caridade.

“Segundo a acusação vaticana, essas notícias não deveriam ser divulgadas, e quem as publica é moralmente partícipe do desenho criminoso. Resumindo, é um crime”, declarou Fittipaldi, que, embora absolvido, disse contestar o processo desde sua origem. “Não é um ataque específico a dois jornalistas, podia ser qualquer um no meu lugar e no de Nuzzi. É um ataque específico à liberdade de imprensa”, afirmou. 

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