Quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
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Uma nova proposta para controlar a expansão da população de pombas na província argentina de Córdoba, calculada em 600 milhões, detonou uma polêmica que resultou na suspensão de um funcionário público de seu cargo.

Trata-se da inclusão da carne da ave no cardápio das escolas públicas, hipótese considerada pelo diretor de Fauna da Secretaria de Ambiente da província, Óscar De Allende.

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[O uso de pombas urbanas nas escolas foi cogitado em Córdoba, na Argentina]

“Queremos mudar o conceito de que as pombas são uma praga. Consideramos que é um recurso abundante, não uma praga, porque praga é sinônimo de morte, e nós o chamamos de outra forma, porque são proteínas”, afirmou o funcionário a uma rádio cordobesa.

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Segundo ele, a hipótese de que as pombas passassem a alimentar crianças com baixos recursos financeiros estava sendo considerada em reuniões com um organismo de assistência social.

O funcionário detalhou o processo de captura das aves, ressaltando os procedimentos de higiene que seriam tomados: “Colocamos armadilhas onde elas dormem, as capturamos e transportamos a um frigorífico, para poderem passar por verificações sanitárias e serem processadas. A partir daí, serão consumidas internamente na província ou serão exportadas”, afirmou De Allende.

Após a repercussão das polêmicas declarações em todo o país, o governador cordobês José Manuel De La Sota ordenou, através de um comunicado, “a imediata suspensão das funções” do diretor. O chefe de gabinete da província, Óscar González, negou que o governo estadual esteja considerando esta possibilidade, que classificou como um “disparate”. Segundo ele, não existe “nenhum projeto nem rascunho que justifique as declarações”.

A intenção de tornar a pomba uma opção do cardápio das escolas seria para diminuir a população das aves

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Verónica Bruera, secretária do Paicor (Programa de Assistência Integral de Córdoba), mencionado nas reuniões citadas por De Allende, garantiu à imprensa local que a alimentação dos alunos de escolas públicas continuará sendo a base de carne de vaca, frango e “eventualmente, porco”.

O aproveitamento de pombas como um produto de consumo, no entanto, já é aplicada na província argentina de La Pampa, que possui frigoríficos destinados a esta produção da carne da ave, exportada aos Estados Unidos, Holanda, Espanha e Reino Unido. “Em La Pampa isso já está sendo feito. Exportam o peito das pombas aos Estados Unidos, onde existe um consumo muito importante [da ave]”, exemplificou De Allende.

Anticoncepcionas para pombas

A procura por métodos para controlar a proliferação de pombas em Córdoba não é recente. A província já tinha colocado em prática campanhas de conscientização, para que a população parasse de alimentar as aves, e a colocar obstáculos, como redes plásticas ou metálicas, em estátuas e varandas de igrejas e edifícios históricos, para dificultar a formação de ninhos e impedir a corrosão provocada pelos ácidos do excremento das pombas.

Em fevereiro do ano passado, a prefeitura da cidade de Mendoza, capital da província homônima, anunciou um plano de entregar à população alpiste com anticoncepcionais, para alimentar as aves e impedir sua reprodução. A medida foi inspirada em experiências para controlar a taxa de natalidade da ave, aplicadas em cidades da Itália.

Em Marcos Juárez, uma cidade no leste cordobês, as autoridades estão testando o uso de um líquido repelente de aves em ambientes públicos. O líquido geraria coceira nas pombas e as afastaria das praças. “Temos que ver se [a substância] dura alguns dias e [as pombas] voltam, ou se tem poder residual”, afirmou um funcionário da prefeitura ao jornal La Voz del Interior.