Segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Compartilhe:

Um comunista ortodoxo, um excêntrico ultranacionalista, um social-democrata da nova geração e um multimilionário concorrem pela Presidência da Rússia com o grande favorito à vitória, o ex-presidente e atual primeiro-ministro Vladimir Putin. As urnas já foram abertas neste domingo (04/03) e as eleições acontecem com normalidade em todo o país.

Putin foi indicado como presidente interino em 1999, substituindo Bóris Ieltsin, e ganhou as eleições presidenciais em 2000, com 53,4% dos votos, sendo reeleito em 2004, com 71,9%. Em 2008, como não podia concorrer ao terceiro mandato, indicou Dmitry Medvedev, que saiu vitorioso, com 71,2% dos votos. Putin foi indicado em 2008 para primeiro-ministro do país, cargo que ocupa hoje.

E-mail

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.

Canal do WhatsApp O mundo em movimento direto no seu celular.
Siga
TV Opera Mundi Opinião, contexto e coragem jornalística.
Sintonize

Efe



O premiê e seu partido, o Rússia Unida, saíram criticados das eleições legislativas de dezembro, marcadas por acusações de fraude

Durante a década de 1980, foi agente da mítica KGB (polícia secreta soviética) na antiga Alemanha Oriental. A candidatura de Putin é apoiada pelo partido Rússia Unida, do qual é líder, apesar de não ser formalmente membro. A popularidade de Putin chegou a 81% em junho de 2007, mas hoje é de aproximadamente 60%, segundo as últimas pesquisas.

Apuração em tempo real Acompanhe os resultados

Sob o comando de Putin, a Rússia viveu um boom econômico, graças ao aumento do preço do petróleo e do gás no mercado internacional. Ao mesmo tempo, a oposição o acusava de não conduzir o país pela via democrática. Exemplo é que, em 2004, Putin aboliu as eleições diretas para governador dos 83 “estados” da Rússia e também para o prefeito das duas cidades federais – Moscou e São Petersburgo.Ele também recuperou para o Estado o controle da Gazprom, maior empresa exportadora de gás do mundo e maior empresa russa e passou a utilizar a companhia como arma política com os vizinhos europeus.

Adorado por parte da população por ser o defensor da Mãe Pátria e por ser respeito nos círculos internacionais, Putin é odiado pelos que veem com cautela o papel centralizador assumido por ele, aos moldes de um czar. Nos anos em que foi presidente, Putin aprovou leis que dificultam que o capital estrangeiro financie ONGs e também conseguiu que as três únicas televisões que cobrem todo o território da Rússia fossem, direta ou indiretamente, controladas pelo Estado.

Putin promete criar 25 milhões de postos de emprego nos próximos 20 anos, dando a impressão que já conta com a reeleição em 2018 e uma mudança constitucional.

As eleições legislativas de dezembro de 2011 foram marcadas por inúmeras fraudes e falsificações e os russos foram às ruas em manifestações sem precedente na última década. No entanto, a falta de uma alternativa à liderança de Putin e o medo de uma instabilidade no país garantirão a vitória do ex-presidente. Segundo os principais institutos de pesquisa, o primeiro-ministro conta com pelo menos 60% de intenções de votos.

Guenady Zyuganov

O principal rival de Putin nas eleições é o veterano politico Zuyganov, de 67 anos, líder do Partido Comunista da Federação Russa desde 1993. Zyuganov já concorreu outras três vezes à Presidência, sempre chegando em segundo lugar. Sua campanha presidencial, baseada na crítica a Putin, parece ser a única oposição real ao Kremlin. O Partido Comunista conseguiu quase 20% dos votos nas legislativas de dezembro, mas ainda enfrenta a rejeição de uma grande parcela do eleitorado que associa o partido a um possível retorno à União Soviética.

O manifesto de Zyuganov promete restabelecer o investimento na indústria naval, no setor de defesa e na agricultura. O principal objetivo do partido é a nacionalização dos recursos naturais da Rússia e a contenção da influência da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). As pesquisas indicam que Zyuganov tem entre 11 e 15% de intenções de voto.

Vladimir Jirinovski

O fundador e líder do Partido Liberal-Democrata, de 65 anos, é considerado o showman da política russa, com uma retórica nacionalista, anti-Ocidente e sempre com um estilo agressivo de defender seu ponto de vista. Muito popular entre os eleitores mais jovens, o voto em Jirinovski é normalmente associado à falta de interesse na política ou a um voto de protesto, uma crítica ao circo eleitoral.

Em 2008, o candidato conseguiu 9% dos votos e deve repetir o índice neste domingo. Seu slogan para a campanha é “Vote Jirinovski ou as coisas ficarão pior”. Apesar do discurso aparentemente de oposição, o política é visto pela maioria dos analistas como leal ao Kremlin.

Em seu programa político, Jirinovski promete resolver o problema da corrupção e do tráfico de drogas em dois anos, além de acabar com o desemprego e a imigração ilegal no país. Jirinovski defende uma Rússia centralizada e descreve o Reino Unido como o principal inimigo histórico da Rússia, mas admite que os Estados Unidos foram o maior inimigo dos interesses do país no último século.

Sergei Mironov

Mironov, de 59 anos, ainda é visto como um antigo aliado do partido governista Rússia Unida, apesar de se apresentar como oposição. Em 2004, declarou que votaria em Putin mesmo sendo ele (Mironov) um dos candidatos à Presidência. Em 2006, criou o partido de centro-esquerda Rússia Justa, oficialmente o maior partido de oposição do país, mas sempre leal ao Kremlin. Em 2011, Mironov perdeu o posto de porta-voz do Conselho Federal Russo, que ocupava há quase 10 anos. A lealdade ao Kremlin foi deixada de lado e Mironov passou a criticar Vladimir Putin.

Mironov defende a nacionalização dos recursos minerais da Rússia e garantias sociais aos aposentados. O candidato conta com 5% das intenções  de votos.

Mikhail Prokhorov

Mais jovem dos candidatos, com 46 anos, e queridinho da classe média urbana, Prokhorov é um bilionário de mais de dois metros de altura, terceiro homem mais rico da Rússia segundo a revista Forbes e concorre sem sigla partidária. Apesar de carismático e midiático, não conta com apoio popular devido à posição de oligarca, ainda vista com receio pela maioria dos russos. Entre 4 e 6% dos eleitores apoiam a sua candidatura.

Prokhorov evitou criticar Putin durante a campanha e prometeu reformas políticas, incluindo a redução do mandato presidencial (que Putin alterou de quatro para seis anos), além da restauração das eleições diretas para governadores regionais. Prokhorov é o solteiro mais cobiçado da Rússia e prometeu se casar caso ganhe as eleições. Foi o único candidato a criticar a lei anti-propaganda gay aprovada na semana passada em São Petersburgo.

Sob o comando de Putin, a Rússia viveu um boom econômico, graças ao aumento do preço do petróleo e do gás no mercado internacional

NULL

NULL

NULL

Mais lidas