Quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
APOIE
Menu

Os principais jornais franceses desta segunda-feira (30/01) preveem uma forte participação de grevistas no movimento marcado para esta terça-feira (31/01) em todo o país. Depois de terem reunido mais de 1 milhão de pessoas contra a reforma das aposentadorias, no dia 19 de janeiro, “os sindicatos querem bater forte” neste segundo dia de ação, destaca Le Figaro, que contabiliza mais de 300 locais de manifestação e a paralisação de escolas, refinarias e redes de transporte.

O projeto do governo começa a ser analisado nesta segunda-feira pelos deputados. A primeira-ministra Elisabeth Borne mantém o objetivo de estender a idade para a aposentadoria aos 64 anos, até 2030. Le Figaro alerta que algumas federações profissionais podem optar pelo bloqueio do país, numa “lógica de radicalização” do movimento e já planejam repetir a greve nos dias 7 e 8 de fevereiro.

O jornal Libération analisa que o debate da reforma na Assembleia Nacional poderá “ser mais complicado do que preveem os macronistas”, que até este momento não sabem se terão apoio suficiente para o texto considerado polêmico. Reunidos em uma comissão, a partir de hoje, os deputados têm a tarefa de analisar cerca de 5 mil emendas feitas ao projeto, antes dos debates em plenário, a partir de 6 d fevereiro.

A falta de consenso entre os deputados do LR (Os Republicanos), partido de direita, é apontada como uma das principais divergências no campo governista para passar a reforma, segundo o Libé. Para os representantes da oposição, “um protesto equivalente ou mais forte do que o anterior poderá fazer o governo recuar”, acredita um deputado socialista ouvido pela reportagem.

'Sindicatos querem bater forte' neste segundo dia de ação, destaca Le Figaro, que contabiliza mais de 300 locais de manifestação

Force Ouvrière/Twitter

Projeto de previdência do governo começa a ser analisado nesta segunda-feira pelos deputados

O jornal Le Monde observa que três quartos dos franceses consideram o projeto injusto e desnecessário. “O governo não soube justificar a sua política, dando a impressão de criar um problema e não de trazer uma solução”, analisa Philippe Moreau-Chevrolet, professor da Science Po.   

Ouvido pela reportagem, Laurent Berger, secretário-geral da Confederação Francesa Democrática do Trabalho, que reúne diversos sindicatos, apela ao governo para “ouvir as reivindicações dos manifestantes contra  a reforma” antes do segundo dia de mobilização intersindical, nesta terça-feira.