Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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Yumi Goto, 60 anos, mora com seu marido em um abrigo temporário em uma ventosa colina com vista para vastas extensões da orla marítima devastada pelo tsunami, onde sua casa esteve um dia.

“O grande terremoto e tsunami destruíram a vida que eu conhecia até agora. Nós estamos esperando para voltar à nossa vida anterior o quanto antes,” disse Goto a IPS.

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Ao longo do último mês, a família de Goto reassumiu a sua ocupação tradicional, mas eles estão longe de cultivar algas e ostras na escala que faziam antes da catástrofe de 11 de março de 2011, que devastou a região de Tohoku, abrangendo as mais afetadas províncias de Fukushima, Iwate e Miyagi.

The Japan Society

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Imagem mostra o estrago provocado pelo tsunami que atingiu a região

Uma pesquisa realizada em janeiro por autoridades locais na região indicaram que menos de 20% dos moradores desalojados queriam deixar Minami-Sanriku, que se estende por movimentados portos de pesca, terras férteis e vilas na província de Miyagi.

Durante séculos, essas intocadas áreas do norte forneceram recursos marinhos e agrícolas para a capital, Tóquio, com seus meios de subsistência tradicionais intactos e as comunidades contentes em permanecerem isoladas das drásticas mudanças globais ao seu redor.

“Minami-Sanriku é um exemplo dos desafios enfrentados no processo de recuperação pós-desastre. A população, como mostraram as pesquisas, está profundamente enraizada em suas formas tradicionais e não quer se mudar para outros lugares”, explicou o professor Akio Shimada, especialista em políticas públicas da Universidade de Tohoku.

O Japão deu início a um vasto programa de recuperação para Tohoku que o governo diz que levará três anos. Para os planejadores, Tohoku, com a sua população desalojada e envelhecida, apresenta vários dilemas a dois meses do aniversário do pior desastre do país nos últimos tempos.

Populações nas cidades afetadas de Tohoku estão sendo solicitadas a tomar decisões difíceis. Alguns, como Goto e seu marido, decidiram ficar, sabendo que poderão continuar pescando apenas se eles permanecerem em Minami-Sanriku. Mas a geração mais jovem não tem tanta certeza e o número total de residentes em Minami-Sanriku já despencou de 5.400 antes do desastre para 4.893.

Wikicommons

Vista área de Sendai, uma das maiores cidades de Tohoku, logo após a acidente

O especialista em população Ryuzaburo Sato, do Instituto Nacional de Pesquisa em População e Segurança Social em Tóquio, disse à IPS que a queda da população rural começou antes mesmo do desastre em março. “Jovens preferem procurar empregonas grandes cidades, que oferecem a eles um estilo de vida estável e moderno”, disse ele à IPS.

A população japonesa diminuiu 123 mil em 2010, caindo pelo quarto ano consecutivo. O número total de novos adultos ou pessoas que chegaram aos 20 anos em 2011 foi de 1,24 milhão, menos de 1% da população nacional, de 127,36 milhões.

Tohoku já tem a menor densidade populacional do país com menos de 200 pessoas por quilômetro quadrado.

Nova estratégia

Determinados a estabelecer um novo conceito no processo de recuperação, prefeitos e especialistas de Tohoku estão pressionando por uma estratégia de desenvolvimento altamente localizada, a qual, dizem eles, é crucial para revitalizar a região.

Um dos defensores mais ferozes de um novo modelo de desenvolvimento em Tohoku é Hiroya Masuda, antigo prefeito de Miyakoshi, uma cidade de pesca de 60 mil pessoas na província de Iwate, também devastada pelo terremoto e tsunami.

Masuda está liderando um movimento para arrecadar fundos do governo central para sustentar a indústria marítima local como prioridade. Isso, insiste ele, irá impulsionar a economia local e encorajar a geração mais jovem a ficar.

“A Tohoku pré-desastre dependia da economia de Tóquio, levando em conta que as nossas políticas estavam pautadas na venda de nossa produção para as grandes empresas da capital. Este é o momento de começar a pensar localmente e criar uma Tohoku sustentável”, disse.

Fukushima

Demandas semelhantes são ouvidas na província de Fukushima, que está lidando com a contaminação causada pela radiação do reator nuclear danificado, que o governo local aceitou 40 anos atrás em troca de fundos de Tóquio para apoiar o desenvolvimento econômico.

O ex-governador Eisaburo Sato é um crítico veemente da tradicional política de desenvolvimento japonesa, que ele condenou publicamente como um desperdício, além de não beneficiarem as comunidades locais, obrigadas a assumir um papel de apoio às empresas ricas de Tóquio.

Fukushima já está registrando o maior êxodo de pessoas – 30 mil de um total de 45 mil – relatado de Tohoku. A tendência geral é os moradores mais velhos ficarem para trás, enquanto a população ativa, preocupada com emprego e riscos de saúde, parte. Shimada explicou à IPS que o desastre de Tohoku, momento decisivo para as economias locais, está dando lições em recuperação de desastre.

“Fundos devem ser direcionados para projetos inovadores, que irão enriquecer a população local, que é o que o novo orçamento de recuperação deve apoiar”, disse ele. Ele apontou para a transferência de maior suporteà tecnologia para os tradicionais setores de pesca e agricultura. Pisciculturas biotecnológicas, pesquisa de novas energias e produção agrícola de alta qualidade são alguns dos projetos então propostos para Tohoku.

Apesar de sua determinação em recomeçar a vida em Minami-Sanriku, Goto também quer mudanças. “Desde a minha adolescência, eu ajudo o meu pai e depois o meu marido a cultivar algas e administrar a captura de ostras. O trabalho é árduo para as mulheres.”

“Enquanto eu estou muito velha para me mudar, tenho certeza de que novos negócios irão encorajar minhas filhas a ficar e fazer de Minami-Sanriku um lugar atrativo para se viver”, reflete.

Tohoku inclui as prefeituras mais destruídas: Fukushima, Iwate e Miyagi

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