O secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, afirmou neste domingo (03/03) que o seu país admite fornecer armas para os grupos rebeldes que compõem a oposição síria no futuro. No entanto, deverá anunciar nesta semana um novo pacote de ajuda de assistência não-letal.
Apesar de apoiarem a oposição que luta para derrubar o regime do presidente Bashar al Assad, as potências ocidentais se esquivam de fornecer oficialmente armas para os grupos.
Segundo relatos da Reuters e de outros meios de comunicação, os rebeldes sírios vêm recebendo nos últimos meses uma quantidade crescente de armas através da fronteira da Turquia e da Jordânia. Acredita-se que elas estejam sendo bancadas por países árabes pró-EUA, como Qatar e Arábia Saudita.
Na quinta-feira (28/02) o governo norte-americano informou quer vai fornecer ajuda não-letal aos grupos de insurgentes sírios para reforçar seu apoio popular. A expectativa é que o pacote inclua suprimentos médicos, alimentos e 60 milhões de dólares. O novo secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, disse na sexta-feira que acredita ser correto prover apenas “apoio não-letal” aos rebeldes.
O Reino Unido já ofereceu anteriormente ajuda não-letal aos rebeldes, como rádios, coletes e suprimentos médicos. Nesta semana, Hague vai fazer um pronunciamento no Parlamento durante o qual anunciará mais ajuda, mas ele já antecipou à TV BBC que esse pacote não incluirá armas.
“Não vou anunciar a entrega de armas à oposição síria”, disse ele em uma entrevista à emissora. “Não excluo nada para o futuro. Se isso continuar por meses ou anos … e países como o Iraque, Líbano e Jordânia forem desestabilizados, isso é algo que não podemos ignorar”, acrescentou Hague.
“Pode-se chegar ao ponto em que, por fim, a urgência humanitária é tão grande e as perdas de vidas tão grandes que se tem que fazer algo de novo, a fim de salvar vidas.”
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Em uma entrevista filmada para o jornal “Sunday Times”, exibida em Londres na noite de sábado, Assad disse que o envolvimento britânico na crise síria foi ingênuo e irrealista: “Como podemos esperar que eles façam a violência diminuir quando querem enviar suprimentos militares para os terroristas?”, questionou Assad na entrevista.
Agência Efe (25/02)

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry (à esq.), e o secretário britânico de Relações Exteriores, William Hague, apoiam envio de ajuda não-letal aos rebeldes sírios
Hague refutou os comentários de Assad, que qualificou como “delirantes”. “Este é um homem que preside este massacre. A mensagem para ele é: 'Nós, o Reino Unido, somos um povo enviando comida, abrigo e cobertores para ajudar as pessoas expulsas de suas casas e famílias em seu nome'”, disse Hague.
Mais quatro anos
Assad, por sua vez, continuará no poder até 2014. Depois, tentará se reeleger, informou neste sábado (02/03) o ministro das Relações Exteriores do Irã, Ali Akbar Salehi.
Em uma coletiva de imprensa realizada hoje, em Teerã, junto com o chanceler sírio, Walid Moallem, Salehi afirmou que Assad será o “presidente legítimo” até as eleições de 2014, quando buscará a reeleição. O Irã é um dos principais aliados geoestratégicos do governo sírio.
“O presidente Assad, assim como outros [políticos], participará das próximas eleições, e o povo sírio elegerá quem quiser”, afirmou Salehi.
Segundo ele, “ninguém tem o direito” de pedir a renúncia de Assad, porque uma decisão deste nível diz respeito “somente ao povo sírio”. Salehi também definiu os apelos da comunidade internacional como “interferência”, reportou a agência Sana.
(*) com informações das agências Ansa e Reuters