
A relação entre Brasil e Estados Unidos deve continuar igual com o futuro governo de Donald Trump, já que a importância de Brasília é secundária para Washington, e a política externa brasileira é alinhada com a norte-americana. A análise é de Cristina Pecequilo, professora de relações internacionais da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), em evento realizado nesta sexta-feira (25/11) pelo Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais da Unesp.
“Existe um peso histórico dos Estados Unidos na definição da nossa política externa, um predomínio entre certos grupos na valorização do eixo norte-sul”, disse.
“O Brasil só foi reconhecido como uma potência regional e global durante o governo Lula”, afirmou Pecequilo, que também argumentou que a relação só é prioritária para os Estados Unidos quando o Brasil é um “país forte”. “Superestimamos o papel dos EUA e subestimamos o potencial de poder nacional do Brasil, relativizando o poder geopolítico e geoeconômico do maior país sul-americano e líder do movimento Sul-Sul desde os anos 60”, disse.
A professora citou China e Índia como países que mantiveram políticas externas autônomas, motivo pelo qual, para a especialista, oferecem “risco” e têm a atenção dos Estados Unidos.

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Reprodução / Youtube
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Para professora Cristina Pecequilo, relação Brasil-EUA não mudará devido à subordinação da política externa brasileira a Washington
Pecequilo também comentou que um governo de Trump ou de Hilary Clinton “não mudaria nada”, pois a postura do Brasil continua a mesma e as agendas comerciais dos candidatos eram “praticamente iguais”, “protecionistas”. Isso acontece, segundo ela, devido à própria realidade geopolítica dos EUA, com sua zona de influência na América Latina: “É o seu entorno estratégico, o seu quintal”, disse.
Relação dos EUA com América Latina
Apesar de a América Latina, principalmente a América do Sul, não ter sido um tema que Donald Trump explorou muito durante sua campanha eleitoral, o presidente eleito se manifestou em relação ao México e a Cuba, com quem os Estados Unidos têm se reaproximado desde 2015.
O empresário disse que revisaria as relações dos EUA com Cuba, mas para Luis Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais, Trump deve manter as medidas do governo anterior. “Pela tradição, em Washington só 4% das medidas executivas foram rejeitadas pelo presidente seguinte”, disse.
Além disso, uma mudança na postura em relação a acordos propostos pelo próprio país passaria uma imagem de instabilidade, explicou Ayerbe. “No caso de Cuba, havia o argumento do comunismo, no caso da Revolução bolivariana, o argumento de uma mudança à esquerda que trazia desestabilização. Seria a primeira vez que os EUA, unilateralmente, voltariam atrás de políticas por uma questão de mudança presidencial. Acho isso muito difícil”, opinou.