Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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A Rússia surpreendeu a comunidade internacional nesta sexta-feira (16/12) ao apresentar um projeto de resolução no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) contra a Síria. A proposta representa uma mudança de postura do governo russo, que se mantém até o momento como o principal aliado do regime de Bashar al Assad, ao lado da China.

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Em outubro, os dois países utilizaram seu poder de veto no Conselho de Segurança para barrar uma resolução semelhante, porém mais dura, contra o governo sírio, acusado de reprimir com violência manifestações que pedem a saída do presidente. Segundo as Nações Unidas mais de 4.000 pessoas morreram desde abril na Síria, em confrontos entre as forças de segurança e opositores, muitos deles armados. Assad contesta os números da ONU e diz que a maior parte dos mortos é de policiais e militares leais ao regime.

“Achamos que o Conselho de Segurança deve agir”, disse o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin. No projeto de resolução, a Rússia defende que a ONU peça o fim da violência “dos dois lados”, de modo a permitir o avanço de reformas políticas no governo de Damasco. Apesar da nova posição, diplomatas ocidentais ouvidos pela agência Efe consideraram que a proposta não é enérgica o suficiente.

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Efe

Manifestantes pró-governo saíram às ruas de Damasco nesta sexta em defesa do presidente Bashar al Assad

Churkin detalhou que o texto apresentado expressa a “necessidade urgente de deter a violência, respeitar os direitos humanos e agilizar as reformas no país”, ao tempo que respalda “os esforços da Liga Árabe para solver a crise em colaboração com as autoridades sírias”.

“Precisamos aprovar uma resolução no Conselho que termine com a violência e a crise que atinge a Síria, e ajudar esse país a seguir o caminho das reformas políticas”, indicou o embaixador russo, para quem o papel do órgão deve ser “não o de exacerbar o conflito, mas o de apaziguá-lo”.

Nos nove meses de repressão na Síria, o Conselho foi incapaz de aprovar uma resolução de condenação a Damasco pela oposição da Rússia e China, que em outubro passado usaram o poder de veto no órgão para se opor a um texto apresentado pela França, Reino Unido, Alemanha e Portugal, com o apoio dos Estados Unidos.

O embaixador russo assinalou nesta ocasião que a resposta dos demais membros do Conselho de Segurança foi “construtiva” e destacou seu desejo de obter acordos, uma vontade compartilhada pelos diplomatas ocidentais, que, no entanto, acusaram o projeto de resolução russo de ser “totalmente insuficiente”.

Reação

Vários representantes dos países europeus do Conselho – os que mais pressionaram nos últimos meses para obter uma resposta do principal órgão de decisão da ONU sobre a situação na Síria – criticaram o texto russo por equiparar as autoridades de Damasco com os manifestantes. Mesmo assim, disseram que é possível usá-lo “como base para negociar”.

“É um projeto de resolução insuficiente. Temos de dizer quem é responsável pela violência, que é o governo sírio. Não podemos pôr no mesmo nível as autoridades e os manifestantes”, disse o embaixador alemão na ONU, Peter Wittig, após a reunião de emergência no Conselho.

O embaixador francês na ONU, Gérard Araud, aplaudiu a iniciativa russa, que classificou como “acontecimento extraordinário”, porque mostra que “a Rússia decidiu abandonar sua inação” em relação ao caso da Síria.

“A Rússia sentiu nossa pressão e o peso da indignação”, disse Araud, que considerou o projeto de resolução russo “desequilibrado” e disse que o texto precisa de “muitas mudanças”. Ainda assim, Araud destacou que a proposta servirá para negociar uma resolução final, um meio de tirar as negociações do impasse no Conselho.

“Temos de mostrar que a violência veio do regime sírio e que é o regime que matou milhares de manifestantes. Está claro que, após meses de violência, alguns manifestantes devolvem a violência, mas não podemos colocá-los no mesmo nível”, acrescentou o diplomata francês.

O número de mortos pela repressão na Síria segue aumentando, como destacou nesta semana a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay. Ela disse no Conselho que o conflito já deixou “mais de 5 mil mortos, entre eles mais de 300 menores”. 

*Com informações da agência Efe

Potências ocidentais consideram proposta russa insuficiente por igualar manifestantes e governo

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