Pelo menos 100 pessoas ficaram feridas na noite desta terça-feira (29/11) em confrontos entre manifestantes e supostos vendedores ambulantes na Praça Tahrir, no centro do Cairo, informou a agência estatal de notícias egípcia “Mena”. De acordo com fontes de segurança locais, os distúrbios foram os únicos de grande relevância registrados neste que foi o segundo dia de votação para a eleição parlamentar do país árabe.
Segundo testemunhas, muitos feridos foram levados ao hospital de campanha instalado na praça para receber atendimento médico.
A reportagem de Opera Mundi esteve na Praça Tahrir, que permanece lotada por manifestantes que pedem o fim do governo de transição comandado pelas Forças Armadas.
Mesmo com o fim do distúrbio, o clima permanece muito tenso na capital egípcia. Quando perguntados por que e contra quem lutavam,os manifestantes não sabiam responder, embora continuasse a atirar pedras e pedaços de pau. “A população está com raiva de tudo e de todos. Estamos brigando por todos os lados. Muitas vezes um motivo sem importância se transforma num enfrentamento como o que nos estamos vendo agora”, declarou um dos manifestantes, que preferiu não se identificar.
Os choques entre os manifestantes acampados no local e os vendedores começaram quando alguns destes se negaram a mostrar suas carteiras de identidade. Os manifestantes exigiam a identificação dos vendedores para se certificar de que não havia pistoleiros ou delinquentes infiltrados.
Em protesto, os vendedores começaram a lançar pedras e garrafas vazias contra os manifestantes, enquanto outros faziam uma cadeia humana na rua onde fica o Museu Nacional do Egito para impedir que mais pessoas chegassem ao local.
Efe
Segundo a reportagem de Opera Mundi no local, os manifestantes suspeitam que a polícia tenha armado os vendedores para que se iniciassem os distúrbios. “A policia deu bomba e armas aos vendedores e eles não estão aqui com o espírito da revolução”, afirmou um dos jovens em Tahrir. Uma fonte de segurança negou à emissora de televisão estatal que a polícia esteja vinculada aos incidentes.
Depois de quase três horas de batalha, representantes das duas partes envolvidas chegaram a um acordo e ergueram os braços bradando: “Somos um”. Mesmo depois da pacificação, para evitar novos distúrbios, a entrada de vendedores na praça está proibida.
Outra razão explicada para os confrontos foi dada pelo ativista Ahmed Siyam à Agência Efe. Segundo ele, na segunda-feira, um grupo de manifestantes decidiu expulsar os vendedores que nos últimos dias haviam se instalado em Tahrir para fazer negócios durante os protestos.
Efe
Segundo Siyam, o ambiente piorou desde que algumas destas pessoas começaram a pedir dinheiro e a vender drogas na área, razão pela qual foram expulsos. Outro revolucionário, Hisham Ezat, afirmou à Efe que muitas destas pessoas alheias ao protesto eram familiares dos vendedores expulsos que buscavam vingança.
Simpatia
Em meio ao distúrbios, um menino de aproximadamente nove anos se aproximou da equipe do Opera Mundi, vestindo uma camisa da Seleção Brasileira e perguntou se estavam gostando do Egito após saudar com o tradicional “seja bem-vindo”, costume muito comum entre a população egípcia para com visitantes estrangeiros. Alguns segundos, ele abandonou a conversa, tirou a camiseta partiu para a zona de combate, com um capacete e uma máscara.
Desde 19 de novembro, a Praça Tahrir se transformou em palco de protestos e duros choques entre as forças de segurança e os manifestantes que pediam à junta militar que governa o país que abandone o poder imediatamente.Os confrontos já deixaram pelo menos 42 mortos e milhares de feridos.
Está previsto que, nesta quarta-feira, sejam divulgados apenas os resultados das listas abertas para candidatos individuais. Caso seja necessário, algumas circunscrições realizarão um segundo turno nos dias 5 e 6 de dezembro.
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