Terça-feira, 23 de junho de 2026
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A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) divulgou nesta segunda-feira (17/06) um relatório apontando para as consequências da baixa escolaridade e da falta de políticas educativas no mundo. Segundo o documento, os investimentos insuficientes na educação poderão custar US$ 10 trilhões (R$ 54,1 trilhões) anualmente aos países.

No relatório intitulado “O preço da inação”, especialistas da Unesco alertaram que o prejuízo supera o Produto Interno Bruto (PIB) conjunto da França e do Japão, dois dos países mais ricos do mundo. Segundo a diretora-geral da organização, Audrey Azoulay, esse será o resultado de um “círculo vicioso” da “falta de investimento na educação de qualidade”.

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“As pessoas com menos formação têm menos competências. Os trabalhadores pouco qualificados ganham menos. As pessoas com rendas baixas pagam menos impostos, o que significa que os governos possuem menos recursos para investir em sistemas educativos acessíveis a todos”, explicou Azoulay à AFP.

O relatório aponta que 250 milhões de menores (cerca de 128 milhões de meninos e 122 milhões de meninas) não frequentaram escolas em 2023. Nos países de baixa e média renda, entre as crianças de 10 anos que tiveram acesso a aulas, 70% não conseguem compreender textos simples.

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Segundo o relatório, o déficit de competências atinge 94% na região da África Subsaariana, 88% no sul e oeste da Ásia, 74% nos países árabes e 64% na América Latina e no Caribe. 

Wikimedia Commons/Galeri ega
Segundo o relatório, o déficit de competências atinge 94% na região da África Subsaariana, 88% no sul e oeste da Ásia, 74% nos países árabes e 64% na América Latina e no Caribe

Educação para acabar com a pobreza

Durante uma reunião de ministros da Educação na Unesco, em Paris, o presidente chileno, Gabriel Boric, que co-dirige o Comitê de Alto Nível para uma Educação de Qualidade para Todos, afirmou que uma educação de qualidade é um recurso para enfrentar “outros desafios da atualidade, desde a redução da pobreza até ao combate às mudanças climáticas”.

Já Audrey Azoulay fez um apelo aos 194 Estados-membros da Unesco para “respeitem o seu compromisso de transformar a educação de um privilégio numa prerrogativa para todos os seres humanos em todo o mundo”.

Segundo ela, caso os países reduzam em 10% o número de jovens que abandonam os estudos de forma precoce, o PIB mundial cresceria entre 1% e 2% ao ano, conclui o documento. “A educação é um investimento estratégico, um dos melhores investimentos possíveis para os indivíduos, as economias e a sociedade como um todo”, salientou Azoulay.

No relatório, a Unesco também ressalta que, para além dos critérios financeiros, a educação também tem impacto na gravidez precoce. O problema é registrado entre 69% de jovens com menor escolaridade, segundo dados compilados pela organização. 

Dez recomendações

Para alcançar o objetivo de uma educação de qualidade para todos, a Unesco lista dez recomendações aos países. A primeira delas é a garantia de uma escolaridade gratuita durante no mínimo 12 anos. 

A instituição também sugere um investimento na primeira infância, de forma que meninos e meninas tenham acesso à aprendizagem o mais cedo possível. A Unesco também preconiza programas que ofereçam “uma segunda chance” para que jovens que tiveram que interromper sua educação possam retomá-la ao longo da vida. 

O relatório destaca ainda a importância de um meio educacional seguro e inclusivo, com uma atenção particular à igualdade de gêneros. “A Unesco também incentiva os Estados a sensibilizarem as comunidades locais e as famílias para a importância de as meninas e os meninos concluírem um ciclo completo de educação e a envolverem os pais nas atividades e na gestão escolar”, conclui o documento.