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A Guatemala está diante de uma nova encruzilhada. No próximo
domingo (11/09), o novo presidente será eleito, enquanto cartéis de drogas e
crescentes índices de violência assolam com força o país centro-americano.

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Efe (08/09/2011)



Baldizón encerra campanha eleitoral: candidato é a favor da pena de morte e da presença militar dos EUA

Em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, está o
candidato do LIDER (Partido Liberdade Democrática Renovada), Manuel Baldizón,
que entre suas propostas fala em aplicar a pena de morte, renovar por completo
a polícia guatemalteca e não dar trégua aos narcotraficantes que operam no
país. Ele também defende com entusiasmo a possibilidade de instalação de uma
base militar dos Estados Unidos na Guatemala.

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Baldizón, de 41 anos, é um advogado criticado por seus
opositores por seu discurso populista, enquanto seus seguidores enaltecem
seu trabalho com as comunidades indígenas do país.

Na corrida eleitoral, está atrás do ex–general Otto Pérez Molina,
do PP (Partido Patriota), nas pesquisas de intenção de voto. O militar é
acusado por organizações de ser um dos principais violadores dos direitos
humanos durante a guerra civil (1960-1996).

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pede desculpas

Opera Mundi conversou com o candidato do LIDER sobre suas
expectativas nas eleições da Guatemala e sua visão para conduzir o Executivo em
um momento de tensões caracterizadas pela violência.

Qual é sua leitura deste
processo eleitoral?

Atualmente, é um tema de acomodação, de
movimentos estratégicos na mobilização do voto, na escolha de bons fiscais que
defendam o voto nas urnas. Agora já é a hora da preparação do dia D. Tocou a
terra e os barcos estão chegando a seu destino, apesar das grandes ondas.

Quais são essas grandes ondas?


alguns dias havia uma nebulosidade dentro deste ambiente político porque ainda
não se sabia se a ex–primeira dama, Sandra Torres, participaria das eleições.
Por fim, algo importante foi feito neste processo. As grandes ondas das quais
falei eram a instabilidade eleitoral que estava sendo produzida, esta ansiedade
de parte da população para saber se as Cortes de Justiça iriam resolver
apegadas ao direito. Contudo, acho que as Cortes recuperaram sua credibilidade,
pois decidiram com base no direito e colocaram de novo as coisas em seu devido
lugar. Nosso país mudou totalmente no âmbito eleitoral. Há alguns dias, havia
um ambiente de inquietação, de ansiedade, de falta de confiança, de instabilidade
e dúvida a respeito do processo eleitoral.

Num possível segundo turno, aconteceria uma reconfiguração de forças. O Sr. buscaria alianças?

Sem
dúvida, no mundo não há outra forma de crescer que não seja com
cooperação. Veja as cooperativas, veja as formigas quando querem mover uma
folha, se unem todas para conseguir. Nós vamos abrir a oportunidade de diálogo
com pessoas, com setores, com grupos, com pessoas que possam apoiar esta luta,
nesta cruzada para impedir que a Guatemala regresse ao passado, para não
permitir que a violência volte, o sangue, a guerra. Estamos na Guatemala do
futuro. Vamos nos unir e poder dialogar com todos os setores que pensem igual a
nós, que busquem o futuro, que sigam pensando no desenvolvimento da nação, no
desenvolvimento da Guatemala e que não existam interesses políticos.
 

Wikicommons




Patrocinada em grande parte pelos EUA, guerra civil na Guatemala deixou um saldo de centenas de milhares de mortos 


Qual é sua proposta para acabar com o
narcotráfico?

Queremos o combate direto do narcotráfico, do crime
organizado e um plano de segurança que implemente a criação de uma nova força
nacional. Quero substituir a atual Polícia Nacional Civil, que perdeu a
credibilidade, pois tem infiltrados em seu alto escalão o crime
organizado. Queremos substituí-la por uma força confiável, que
permita a retomada do território.

Também planejo a aplicação de leis aprovadas no
Parlamento, como a de extinção de domínio, que permite confiscar os
bens dos delinquentes e narcotraficantes que sejam resultado do enriquecimento
ilegal. Devemos combater diretamente e sem
descanso o crime organizado por meio do controle de inteligência, mas também por meio da aplicação da lei e da ordem.

A Guarda Nacional tem uma
conotação história delicada, já que ela foi apontada como a responsável por desaparecimentos forçados durante a guerra. Qual é a sua proposta?



Não, a Guarda Nacional é somente um nome, o que pretendemos
é que seja uma força de combate ao crime organizado.
Estamos falando de transformação. O triste passado da Guatemala foi
de responsabilidade do Exército e de outros grupos também clandestinos que
cometeram assassinatos, violações de direitos humanos e que ainda não foram julgados.

Qual é a penetração do crime organizado na Guatemala? O chanceler guatemalteco, Haroldo Rodas, garante que o país se
converteu em um narcoestado. Qual é sua opinião?

A
Guatemala é quase um Estado falido. Somos a
consequência de uma guerra que está sendo combatida em nosso território, mas
por um produto (cocaína) que é consumido no outro lado do mundo. Somos vítimas. Entretanto, isso não tira
nossa responsabilidade. Por isso, buscaremos a cooperação norte-americana. No caso da Guatemala, os
EUA já cooperaram com helicópteros e aeronaves, no controle do espaço
aéreo, pois nosso território é grande e não podemos negar isso. Os EUA foram
o melhor parceiro da Guatemala no combate ao crime organizado e temos que
agradecê-los. Espero que no próximo governo possamos contar com a
ajuda deles para combater diretamente o crime organizado e o narcotráfico.

Que tipo de cooperação estão buscando com os EUA?

Queremos que uma base militar seja construída dentro do nosso território, para
controlar a região. Este é um tema que estamos debatendo e esperamos que seja
uma solução para o problema e que eles aceitem a proposta. Seria uma
verdadeira bênção de Deus contar com uma base militar no norte da Guatemala,
que nos permita controlar toda a região.

Há quem diz que a América Central poderia se converter em uma sociedade militarizada, impulsionada pelo crime
organizado…

Bom, o
que acontece é que tudo depende da condição dos Estados. Quando falamos de
América Central, é preciso entender que
sequer temos um acordo de união centro-americana. Quando
falo da cooperação norte-americana, não é a possibilidade de militarizar as
nossas forças. Isso é um conceito que tem de ser diferenciado. Nossa Guarda
Nacional é uma organização autônoma. Já a base militar, será uma base de
controle, não tem que ser exatamente uma base militar.

O Sr. é favorável à aplicação da
pena de morte?



O importante em
um Estado
é que as leis sejam cumpridas. Se o Estado
de Direito diz que na Guatemala, no artigo 18 da Constituição, que todo aquele que
assassina, viola, que arranca a cabeça de uma criança, deve ser submetido à
pena de morte, a lei tem que ser aplicada. O grande conflito que temos na
Guatemala é que os presidentes até agora evitaram o cumprimento por não ter
firmeza. Eu terei essa firmeza.

O que estaria evitando a aplicação dela?

Talvez grupos de direitos humanos, a corrente para abolir a pena de morte. O que acontece é que eu não
vivo em Paris, ou em Zurich. Vivo na Guatemala, onde cada dia mais de 25 pessoas são assassinadas na
frente das forças de segurança. É outro Estado, é outra história.

Para a pena de morte, faremos uma consulta popular. A partir de 15 de janeiro,
às 9 da manhã, caso eu seja eleito, apresentarei um referendo para que
o povo tome as decisões a respeito das propostas do novo governo, onde a pergunta
número um será: você está de acordo com a aplicação da pena de norte? Sim ou
não.


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Seria uma benção ter uma base dos EUA na Guatemala, diz candidato à Presidência

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