Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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Somente fortes pressões contra Israel, por parte da comunidade internacional, poderão levar ao fim da ocupação israelense. Essa é a opinião do cientista politico Samir Awad, da Universidade de Bir Zeit, na Cisjordânia, que conversou com Opera Mundi sobre a situação atual no Oriente Médio.

“Os palestinos já tentaram tudo, tanto o caminho das negociações como o caminho da luta armada, ambos fracassaram”, disse. “Sozinhos não conseguiremos nunca nos libertar da ocupação. O desiquilíbrio de forças entre nós e Israel é enorme, não temos poder de barganha”.

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Efe

Soldado israelense em ação contra manifestação em Jerusalém. Para analista, negociação de paz tem poucas chances de dar certo

Awad aponta o boicote de empresas europeias aos assentamentos israelenses como um “bom começo” para pressão. “O projeto da ocupação é muito rentável, Israel só abrirá mão dos territórios palestinos ocupados quando tiver que pagar um preço alto demais para mantê-los”, opina.

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De fato, o número crescente de empresas europeias que vêm anunciando boicote aos assentamentos israelenses na Cisjordânia começa a preocupar lideres políticos e econômicos em Israel. O maior banco da Dinamarca, Danskebank, proibiu investimentos no Banco israelense Hapoalim, por causa de seu envolvimento em financiamento de construção de assentamentos.

Para Samir Awad, da Universidade de Bir Zeit, boicote de empresas europeias aos assentamentos são "bom começo" para pressão

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Já o fundo de pensões holandês PGGM anunciou que vai retirar seus investimentos dos cinco maiores bancos de Israel pelo envolvimento destes em construção de assentamentos. A Noruega, por sua vez, instruiu o maior fundo de pensão do país a não investir na empresa Africa Israel, também envolvida em construção de assentamentos.

Isolamento e boicote

Segundo o embaixador da União Europeia em Israel, Lars Faaborg-Andersen, se as negociações mediadas pelo secretário de Estado norte-americano, John Kerry, fracassarem, “o isolamento de Israel na comunidade internacional e o boicote deverão crescer”.

“Se Israel continuar a construção de assentamentos e as negociações fracassarem, Israel ficará mais e mais isolado, principalmente em decorrência do clima que vigora entre os próprios consumidores e o setor privado. Cada vez que Israel anuncia a construção de mais moradias nos assentamentos, se fortalece a exigência de que os supermercados europeus marquem os produtos dos assentamentos e se ouvem mais vozes pedindo o boicote”, afirmou o embaixador.

Efe

Palestinos protestam contra a construção do assentamento de Qdumim, na região de Nablus, na Cisjordânia

De acordo com o ministro das Finanças de Israel, Yair Lapid, se as negociações fracassarem, “enfrentaremos uma realidade de boicote na Europa e cada cidadão israelense vai sentir essa nova realidade em seu próprio bolso”.

Segundo a avaliação do ministério, o fracasso das negociações poderá prejudicar gravemente as relações econômicas de Israel com a União Europeia, que é seu principal parceiro comercial. “Em uma primeira fase, a previsão seria de um prejuízo de 20 bilhões de shekels (cerca de 10 bilhões de reais) na exportação e a demissão imediata de cerca de 9.800 funcionários”, confessou Lapid.

Awad é pessimista sobre as negociações atuais. “As diferenças são grandes demais”, sublinhou. Ele aposta que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, não poderá aceitar a condição imposta pelo premiê israelense, Benjamin Netanyahu, de que os palestinos reconheçam “o caráter judaico” do Estado de Israel. “Ele estaria abandonando 1,5 milhão de palestinos que são cidadãos israelenses e também abrindo mão do direito de retorno dos refugiados, por isso, acredito que ele não aceitará essa condição”, diz.

“Quando Israel firmou acordos de paz com o Egito e com a Jordânia, não exigiu que reconhecessem Israel como Estado do povo judeu. Por que essa exigência agora? Acho que Netanyahu sabe perfeitamente que Abbas não poderá aceitá-la e a colocou de propósito para sabotar as negociações”, analisou Awad.

De acordo com o cientista politico palestino, a tendência é que o boicote a Israel cresça. “Eventualmente o boicote, que agora se concentra nos assentamentos, poderá se ampliar para toda a sociedade israelense, e o preço que Israel terá que pagar para manter a ocupação poderá aumentar”, concluiu. 

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