A Suprema Corte do Paquistão emitiu nesta terça-feira (15/01) um mandado de prisão para o primeiro-ministro Raja Pervez Ashraf por conta de um processo de corrupção relacionado a contratos milionários de energia. O momento da decisão, próximo à dissolução do Parlamento, em março, levanta suspeitas de que o judiciário e outros setores tentam influenciar o cenário político paquistanês.
Efe (18/09/2012)

A Suprema Corte do Paquistão ordenou a prisão do primeiro-ministro Raja Pervez Ashraf por caso de corrupção
Enquanto a notícia era veiculada pelas redes e emissoras locais, um líder religioso populista discursava contra o governo para milhares de pessoas na capital do país. Muhammad Tahirul Qadri, vinculado aos magistrados e militares, retornou ao Paquistão em dezembro depois de anos no Canadá para defender a saída da administração atual.

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Com o apoio de uma multidão em frente ao Parlamento paquistanês, o político islâmico exigiu a dissolução do legislativo e a formação de um governo de transição. De acordo com um porta-voz, os manifestantes vão permanecer acampados no local até suas demandas serem atingidas. O protesto teve início nesta segunda (14/01) e continuou até esta terça (15/01).
Efe (15/01)

Centenas de pessoas compareceram às manifestações convocadas pelo líder religioso Muhammad Qadri deste segunda (14/01)
“(O governo) desperdiçou e trouxe um final ruim para as nossas Forças Armadas, que são altamente sinceras, competentes, capacitadas e profissionais”, disse Tahirul Qadri, alternando entre Urdu e Inglês. “Nem mesmo eles podem fazer nada porque o governo não é capaz de fazer nada por essa terra. Sentenças estão sendo anunciadas pelo nosso judiciário independente e excelente, mas o governo não está pronto para implementá-las”.
“Zardari se tornou um ex-presidente”, afirmou ele se referindo ao atual presidente Asif Ali Zardari, membro do partido do premiê. “Dissolva a assembleia ou o povo irá fazê-lo”, clamou.
Golpe militar?
Muitos políticos paquistaneses e especialistas questionam as intenções do líder populista e suas relações com o militar e o judiciário – antagonistas históricos à administração civil do país. De acordo com eles, a presença de uma multidão revoltosa pode criar a desculpa para um golpe militar ou para o estabelecimento de um governo de transição pelas Forças Armadas.
Esses cenários se tornam ainda mais possíveis com o anúncio da prisão do premiê paquistanês.
Efe (15/01)

O líder islâmico Muhammad Qadri discursou para milhares de pessoas dentro de uma cabine blindada; ele pede dissolução do governo
Imran Khan, líder do partido opositor Tehreek-e-Insaf (Movimento do Paquistão pela Justiça), disse nesta terça (15/01) que sua organização vai convocar protestos nacionais se um governo de transição não for anunciado nos próximos oito dias.
24 horas para prisão
As autoridades paquistanesas têm o prazo de 24 horas para prender o premiê e outros 16 membros do governo envolvidos no escândalo de corrupção. Ashraf responde acusações por conta de contratos milionários estabelecidos enquanto servia como ministro da Água e Energia, de 2008 a 2011.
A ordem de prisão foi considerada “inconstitucional” por conselheiros do premiê. O presidente paquistanês convocou encontro dos principais membros da coalizão governista para discutir a crise.
Oficiais do governo, que recebe o apoio dos Estados Unidos, e integrantes da oposição devem negociar a próxima data para o pleito nacional. O Parlamento paquistanês deve ser dissolvido em março, mas as eleições ainda não foram convocadas. Qadri e seus apoiadores pedem que o judiciário impeça a candidatura de políticos corruptos. Se houver um “vazio” no poder, um governo de transição terá de ser formado.