Sábado, 4 de julho de 2026
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Salvadorenhos (foto) e outros centro-americanos sofrerão com o aumento de preços depois das intensas chuvas

A fúria das chuvas que nos últimos dez dias resultou em dezenas de mortos, 300 mil desabrigados, perdas na agricultura e centenas de casas destruídas ainda debe provocar muitos danos na América Central nos próximos meses. A intensidade dos temporais foi tamanha que a expectativa é que leve a um aumento da pobreza na região.

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“Quero transmitir ao mundo que El Salvador sofre um dos mais dramáticos desastres de sua história”, disse o presidente salvadorenho, Mauricio Funes, em rede nacional de rádio e televisão.

O panorama é similar nas nações vizinhas. Os chepes de Estado de Guatemala, Honduras e Nicarágua também declararam estado de emergência em seus países.

As chuvas atingiram com força áreas de maior vulnerabilidade e uma das regiões sob maior risco de impactos de fenômenos naturais, como aqueles produzidos pela mudança climática, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas).

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Na Guatemala, deslizamentos de terra e inundações deixaram ao menos 35 pessoas mortas

“A América Central é a região mais vulnerável do mundo no que diz respeito à mudança climática. Só em El Salvador, durante a tormenta Ida (2009), o país sofreu danos de 320 milhões de dólares, o equivalente a 1,45% do PIB”, disse Robert Valent, coordenador das Nações Unidas em El Salvador.

A América Central está localizada no centro do continente americano e conta com uma das maiores riquezas naturais e econômicas do mundo, mas sua condição geográfica e territorial a transforma em uma região frágil.

Omar Cortez, de 85 anos, que sobreviveu a uma das inundações, relatou ao Opera Mundi os momentos trágicos que passou sob as chuvas torrenciais. “A água chegou até nós rapidamente. Tínhamos protegido nossas coisas, mas em pouco tempo a casa ruiu”, contou. Ele diz que sua família se dedica ao cultivo de milho e pepino, mas as inundações destruíram todas as plantações em sua região, Cantón el Limón, no departamento oriental de Usulután, a sudoeste da capital salvadorenha.

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Estatísticas do Banco Mundial indicam que os países da América Central têm grande parte da população vivendo abaixo da linha da pobreza. Em primeiro lugar, está Honduras, com 60%, seguida por Guatemala (51%), Nicarágua (46%) e El Salvador (37%).

Crise alimentar

José Acosta, analista de mudanças climáticas da organização não-governamental Cesta (Centro Salvadorenho de Tecnologia Apropriada), observou que os países centro-americanos, tanto os que produzem o suficiente para abastecer seu mercado quanto os que têm de importar seus alimentos (milho, feijão e arroz, que são a principal base da dieta), sofrerão com o aumento de preços depois das intensas chuvas. “Um impacto que sentiremos nos próximos meses será nos sistemas produtivos. Os terrenos de cultivo de milho, arroz e feijão estão completamente inundados, e isso vai provocar um aumento dos preços dos alimentos nos próximos meses”, disse Acosta.

O comércio está comprometido porque a infraestrutura viária entrou em colapso. Muitas pontes foram arrastadas pelas torrentes, os deslizamentos obstruíram estradas importantes e os caminhões de carga não podem transportar as mercadorias. Durante a emergência, alguns pontos fronteiriços entre Honduras, Guatemala, El Salvador e México tiveram de fechar, e o intercâmbio comercial ficou paralisado por vários dias.

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Em países como a Guatemala, o processo de limpeza das ruas ainda está longe de terminar

“Obviamente, esse tipo de fenômeno faz o país retroceder em suas aspirações, em seu processo de superar a situação da probreza, pois uma coisa são os fenômenos naturais, e outra são os fenômenos provocados pela mudança climática”, afirmou Acosta.

Crise internacional

A situação se agrava porque, além dos danos provocados pela chuva, ainda persiste uma ameaça de recessão econômica nos Estados Unidos, que são o principal parceiro comercial da região e onde residem milhões de centro-americanos que enviam dinheiro a seus países de origem.

Um informe da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina) indica que os países centro-americanos registrarão perdas de 10 bilhões de dólares nos próximos quatro anos se não controlarem os efeitos da mudança climática, para os quais devem estar preparados.

O estudo preliminar de custos indica que os efeitos deste fenômeno teriam o maior impacto sobre o setor agrícola, os recursos hídricos e a biodiversidade. Muitos dos cultivos, entre os quais se destacam o café, o açúcar e o milho, estão sendo afetados pelas secas, pela temporada irregular de chuvas e pelo impacto de furacões.

“Temos de adotar posturas de maior cobrança dos países ricos. É preciso dizer que existe uma injustiça social, porque o fenômeno da mudança climática foi gerado pela sociedade do norte, que consome, e quem sofre os impactos são as comunidades mais pobres dos países da região”, afirmou José Acosta.

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Temporada de chuvas pode aumentar pobreza na América Central

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