Sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
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A aprovação do tratado de livre comércio entre Mercosul e União Europeia por parte do Conselho Europeu, anunciada nesta sexta-feira (09/01), divide opiniões entre especialistas da área econômica, entre os quais há quem considere o avanço nas negociações – e a possível implementação de parte de suas diretrizes ainda em 2026 – como uma má notícia para o Brasil.

Entre eles está o economista Paulo Nogueira Batista Jr, ex-diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, por sua sigla em inglês), que considera o acordo “ultrapassado e de corte neoliberal”.

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Segundo Batista Jr, “o tratado é desfavorável ao Brasil, abre o nosso mercado de bens industriais para as grandes corporações europeias e poucas vantagens traz ao país em termos de acesso adicional aos mercados da Europa”.

“É fácil entender o interesse da União Europeia nesse acordo, visto que é amplamente favorável a ela. O difícil, quase incompreensível, é entender ou ativo engajamento do governo brasileiro”, acrescenta.

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Ademais, o economista qualificou como “insustentável” o argumento usado por algumas figuras ligadas à equipe econômica do Governo Lula de que o tratado serviria para fazer das relações entre o Brasil e o bloco europeu um contraponto geopolítico aos Estados Unidos e à China.

“Desde quando um acordo que é desfavorável ao Brasil pode servir como contraponto a qualquer coisa?”, questionou o ex-vice-presidente do NDB.

Batista Jr disse lamentar que o Governo Lula “abandonou uma posição tradicional do petismo, que sempre foi contrário ao livre comércio e ao neoliberalismo”.

Governo Lula trabalhou ativamente nos últmos meses pela conclusão do tratado entre Mercosul e União Europeia
Ricardo Stuckert / Presidência da República

Aprovação no Conselho Europeu

O tratado entre Mercosul e União Europeia foi firmado por mais de 15 Estados-membros do Conselho Europeu, alcançando a maioria qualificada requerida para sua aprovação.

A regra estabelece que a confirmação necessita que os países que entreguem assinaturas favoráveis a um projeto representem, entre si, um mínimo de 65% da população do bloco. Por isso, a posição da Itália, terceira nação mais povoada da União Europeia, foi considerada decisiva.

Desta forma, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fica autorizada a assinar formalmente o acordo com os países sul-americanos. As agências de notícia europeias afirmam que ela deve viajar ao Paraguai na próxima segunda-feira (12/01), para a assinatura simbólica.

Superada esta etapa, o texto passa a ser válido legalmente e a parceria pode ser posta em prática, apesar de que ainda precisará ser ratificada pelo Parlamento Europeu.