Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (13/10) que, se não conseguir corrigir o que chamou de “defeitos” do acordo nuclear com o Irã através da ação do Congresso ou de negociações internacionais, abandonará o pacto. O mandatário decidiu não renovar a “certificação” do acordo, o que, na prática, coloca o acordo em risco.

Por enquanto, no entanto, o pacto está mantido.

Após a assinatura do acordo nuclear com o Irã, o Congresso dos EUA aprovou uma lei (conhecida pela sigla em inglês Inara) que exige que o presidente norte-americano certifique a cada 90 dias se Teerã está cumprindo com o pacto e se o acordo favorece o “interesse nacional” dos EUA.

“Não podemos efetuar essa certificação e não o faremos”, declarou Trump, acrescentando que deu instruções a seu governo para trabalhar com o Congresso em maneiras de fazer com que “o regime iraniano não ameace o mundo com armas nucleares”. “O Irã está sob controle de um regime fanático”, disse.

A ideia do governo Trump, agora, é fazer com que o Congresso e os parceiros internacionais marquem o que a administração chamou de “linhas vermelhas” – na prática, limites unilaterais – ao acordo nuclear alcançado com o Irã em 2015, ainda no governo do democrata Barack Obama por meio de uma emenda que estabeleça que, se Teerã cometer certas ações, os EUA imporão automaticamente sanções.

Tillerson

Segundo o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, Trump vai abrir a possibilidade de negociar, com o Irã e as outras cinco potências que assinaram o pacto, um acordo paralelo que faça frente às “deficiências” do acordo atual.

“O presidente chegou à conclusão que não pode certificar que a suspensão das sanções que foi outorgada (ao Irã) foi proporcional em relação ao benefício” do acordo, afirmou Tillerson em uma entrevista coletiva antes do prounciamento.

Essa determinação abre “três alternativas”, segundo Tillerson, das quais a primeira é “que o Congresso não faça nada” e a segunda é que decida voltar a impor as sanções ao programa nuclear do Irã que os EUA suspenderam como parte do pacto multilateral. “Voltar a impor as sanções enviaria, com efeito, a mensagem que sairemos do acordo”, reconheceu.

Ideia do governo Trump, agora, é fazer com que Congresso e parceiros internacionais marquem o que a administração chamou de 'linhas vermelhas' – na prática, limites unilaterais – ao acordo nuclear alcançado em 2015

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Agência Efe

Trump quer que Congresso e parceiros do acordo nuclear mudem regras do pacto

Mas Trump não vai enviar ao Congresso nenhuma dessas opções, mas sim uma terceira alternativa, que consiste em “emendar a lei Inara para acrescentar linhas vermelhas muito firmes”. “Se o Irã cruzar alguma destas linhas vermelhas, as sanções voltam imediatamente a ser aplicadas”, indicou Tillerson.

Além disso, o presidente norte-americano pedirá aos seus parceiros no acordo nuclear (França, Reino Unido, Alemanha, China, Rússia e Irã) que abram um debate sobre certas “áreas que não são discutidas no pacto”, disse Tillerson, sem especificar quais assuntos estariam incluídos nesse acordo paralelo.

Dado que renegociar o pacto de 2015 é “pouco provável”, pois “o Irã não vai se prestar” a isso, os EUA querem criar “um novo acordo que não substitua o nuclear, mas sim aborde esses temas e se mantenha em paralelo” ao acordo anterior, explicou Tillerson.

O chefe da diplomacia disse que já informou essa possibilidade aos seus homólogos de França, Alemanha e Reino Unido; mas reconheceu que é possível que o Irã responda “que não está interessado em falar” nem em negociar.

Reações

A chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, reagiu com irritação ao discurso de Trump. Segundo ela, o acordo com o Irã é “multilateral”, e “nenhum país, individualmente, pode acabar com ele”.

O Irã, por sua vez, já havia falado que uma decisão de Trump poderia causar “desordem”. “O Irã continuará a respeitar as próprias obrigações até que as contrapartes não tenham violado o acordo. Me parece que os Estados Unidos deram certos passos que, no fim das contas, provocarão desordem no cenário internacional”, declarou o presidente do Parlamento do país, Ali Larijani.

(*) Com Efe e Ansa