Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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A coalizão opositora venezuelana MUD (Mesa da Unidade Democrática) apresentou nesta quarta-feira (19/07) um “acordo de governabilidade” para um “governo de união nacional”, com o qual pretende avançar para uma “transição” que destitua do poder o presidente, Nicolás Maduro.

O acordo foi anunciado três dias após o plebiscito informal realizado à margem do poder eleitoral venezuelano pelos opositores contra a Assembleia Nacional Constituinte (ANC), cuja eleição está programada para o dia 30 de julho, e contra o governo Maduro.

“Alcançada a mudança e ultrapassado o atual regime, a liderança democrática assume o compromisso de assegurar a governabilidade mediante a formação de um governo de união e recondução nacional amplo”, disse no ato de apresentação o deputado opositor Henry Ramos Allup.

O parlamentar afirmou que o acordo se baseia no resultado do plebiscito informal do último domingo, que também pediu que os venezuelanos se manifestassem sobre a destituição de Maduro e a instauração de um governo de transição. A oposição sustenta que 98% dos votantes se disseram de acordo com a proposta, mas não tem condições de atestar nem a participação nem os votos depositados, já que não houve monitoramento ou auditoria da consulta.

A proposta da MUD não indica como tal governo chegaria ao poder, mas é mais uma tentativa de pressionar pela destituição de Nicolás Maduro.

A MUD já havia divulgado ontem (18/07) uma agenda de ações de pressão contra o governo Maduro, inclusive o anúncio do “acordo de governabilidade” feito hoje.

Agência Efe

Henry Ramos Allup, da MUD, durante apresentação do 'acordo de governabilidade' para a Venezuela; oposição convocou novos protestos contra Maduro

Coalizão opositora MUD divulga 'agenda de ações' contra governo Maduro na esteira de plebiscito sem monitoramento ou auditoria; novos protestos violentos deixam um morto

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A coalizão também convocou os cidadãos a, também nesta quarta (19/07), retornarem aos pontos de votação do plebiscito para participarem do que estão chamando de comitês da “Hora Zero”, que organizarão uma sequência de ações na próxima semana “para obter a restituição de uma ordem constitucional”. A ação prevê um acordo para nomear “uma paralisação de 24 horas para esta quinta e a nomeação de magistrados do Supremo Tribunal na sexta”. 

Novos protestos violentos com um homem morto após ser atingido por rojão

Após alguns dias sem protestos devido ao foco no plebiscito de domingo, a oposição reiniciou, nessa terça-feira (18/07), uma série de protestos que culminaram em atos violentos para pressionar pela saída de Maduro. Recomeçaram as chamadas “guarimbas”, que são protestos com bombas, incêndios e outras formas de violência com interrupção de vias de trânsito. 

Em uma delas, na cidade de Lechería, no Estado de Anzoategui, o venezuelano Héctor Anuel foi morto enquanto passava de moto pelos manifestantes, que atiraram um rojão contra ele. Sua morte eleva para 96 o números de mortos em atos violentos durante protestos no país.

Pelo menos 19 pessoas foram presas nesta terça (18/07), segundo a organização não governamental Foro Penal Venezolano.

O contexto de violência ocorre após os dois processos eleitorais que ocorreram no domingo (16/07): o plebiscito informal convocado pela oposição e a simulação da Assembleia Constituinte. No plebiscito, 7.186.170 milhões de pessoas teriam participado da votação chamada pela oposição — considerada pelo governo como ilegítima e inconstitucional.

O número, que foi divulgado pela oposição sem auditoria, representa 35% do universo de eleitores do país. Analistas chavistas consideram, no entanto, que oposição teria conseguido, no máximo, a participação de 4 milhões, ou 20%. Da simulação da Constituinte, realizada pelo governo, participaram cerca de 11 milhões, ou 56% do universo de votantes que, na Venezuela, é de 19,5 milhões. Os dados da simulação são de Hector Rodriguez, chefe da campanha que organiza a eleição da ANC.

 

*Com Brasil de Fato e Agência Efe