A Vodafone, gigante de telecomunicações europeia, revelou nesta sexta-feira (06/06) que governos de vários países possuem cabos secretos para grampear, gravar, ouvir o conteúdo e até, em alguns casos, rastrear a localização das conversas telefônicas transmitidas pela rede da empresa. De acordo com a Vodafone, outras companhias do setor também estão submetidas ao mesmo tipo de acesso direto. A empresa não revelou em quais dos 29 países em que atua, na Europa e no mundo, há esse tipo de prática.
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Flickr/byrion/CC

Dos 29 países em que atua, 6 obrigam as empresas de telecomunicações a fornecer acesso direto ao governo
A revelação, publicada hoje pelo jornal britânico The Guardian, adianta o conteúdo de um longo relatório a ser divulgado pela Vodafone, multinacional com sede em Londres, na qual a empresa quebra o silêncio e denuncia as práticas de ciberespionagem civil adotadas pelas agências de inteligência de vários países. Segundo a empresa, cabos governamentais foram conectados diretamente ao sistema da Vodafone, fornecendo acesso direto aos dados e conteúdos de seus clientes.
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Dos 29 países em que atua, seis deles exigem que as empresas de telecomunicações instalem os cabos secretos ou permitam que o governo o faça. Caso se neguem a colaborar com as agências de espionagem, as teles podem ter suas licenças de operação retiradas dos países.
Agência Efe

Vodafone vai publicar relatório criticando práticas de ciberespionagem praticadas ao redor do mundo
Citado pelo The Guardian, o ativista pelos direitos civis Shami Chakrabarti classificou de “sem precedentes” e “aterrorizante” a revelação. Outras entidades que atuam na causa afirmaram que as informações confirmam o “pior dos medos” em relação à extensão das práticas de vigilância: o acesso direto não requer nenhum tipo de autorização judicial, fazendo com que a empresa não saiba nem quem nem quantos clientes foram espionados pelos governos.

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“Esses cabos existem. O modelo de acesso direto existe”, disse Stephen Deadman, funcionário da Vodafone. E completou: “Estamos fazendo um chamado para pôr fim ao acesso direto como meio que o governo tem para obter os dados de comunicação das pessoas. Sem nenhum tipo de mandado judicial, não há qualquer visibilidade externa. Se recebermos um pedido formal [para expor informações de clientes], podemos recorrer na Justiça contra a demanda. Fazer com que o governo tenha de emitir um pedaço de papel é uma restrição importante”.
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Será divulgada hoje a íntegra do relatório, intitulado “Informe de Divulgação sobre a Aplicação da Lei” e que vem sendo preparado há um ano, desde que o ex-analista da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) Edward Snowden fez as primeiras revelações sobre as práticas de ciberespionagem em massa. O objetivo é fazer com que os clientes da empresa a sociedade civil tomem conhecimento das obrigações legais impostas pelos serviços secretos de vários países do mundo no que se refere a colaborar com interceptação e ciberespionagem.