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Pouco mais de dois anos após assumir o comando da Minustah (Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti), em junho de 2004, o Brasil enviou dinheiro ao Paraguai para que o pais vizinho integrasse as forças de paz na ilha caribenha. A informação consta de um telegrama da Embaixada dos Estados Unidos em Assunção vazado pelo WikiLeaks – e que a Agência Pública divulga com exclusividade.

O documento atesta que, em julho de 2006, o governo brasileiro havia confirmado a destinação de 1,7 milhão de dólares para o exército paraguaio. “Os fundos serão utilizados para reparar 40 veículos blindados e prover equipamentos, uniformes e treinamento para um pelotão de capacetes-azuis que irão integrar o contingente brasileiro”, escreveram os diplomatas estadunidenses.

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Um oficial do Exército paraguaio, cujo nome foi mantido em sigilo, revelou à embaixada que o grupamento a ser enviado ao Haiti consistiria em cinco oficiais e 25 praças. A informação se tornaria precisa cinco meses depois, quando, em dezembro de 2006, Brasil e Paraguai assinaram um memorando de entendimento para a incorporação de “um pelotão de fuzileiros formado por trinta militares paraguaios, constituído por tenentes (no máximo cinco), sargentos, cabos e soldados, para cumprir as tarefas que lhe fossem designadas como integrantes do Batalhão Brasileiro na Minustah”.

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Em conversa com diplomatas estadunidenses, o militar também confidenciou que o Brasil queria treinar os soldados paraguaios numa escola especializada na formação de tropas de paz, localizada em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Porém, acabou concordando em permitir que a preparação acontecesse no país vizinho, sob a orientação de uma equipe brasileira que desembarcaria no Paraguai em duas semanas.

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“O oficial disse que os brasileiros decidiram apoiar as tropas paraguaias porque políticos do país subiram o tom de suas reclamações sobre o Mercosul e a usina de Itaipu”, afirma o telegrama, que continua com o comentário dos funcionários da embaixada: “Sempre que o Paraguai se queixa ou ameaça quebrar acordos envolvendo o Mercosul e Itaipu, o Brasil oferece financiamento a alguns programas para fazer os paraguaios felizes”.

O Ministério da Defesa foi procurado pela reportagem, mas não enviou uma resposta até a data de publicação.

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O documento é parte de 2.500 relatórios diplomáticos referentes ao Brasil ainda inéditos que foram analisados por 15 jornalistas independentes e estão sendo publicados nesta semana pela Agência Pública.

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Wikileaks: em 2004, Brasil deu 1,7 milhão de dólares para treinar militares paraguaios

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