Quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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O presidente da China, Xi Jinping, declarou nesta segunda-feira (27/07) que sua nação apoia o Brasil na “rejeição à interferência externa” e que está pronta para fortalecer ainda mais a cooperação bilateral em áreas estratégicas, de acordo com a agência Xinhua. A posição foi dada durante uma conversa por telefone na noite de domingo (26/07) com seu homólogo do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, no contexto do tarifaço imposto pelos Estados Unidos de Donald Trump a diversos produtos brasileiros.

Conforme a agência, o líder chinês ressaltou que, nos últimos anos, a construção de uma comunidade entre China e Brasil e o alinhamento das estratégias de desenvolvimento de ambas as nações registraram avanços positivos. Segundo Xi, essa cooperação desempenhou um papel importante na melhoria do bem-estar dos dois países, além de contribuir para a estabilidade global em meio a um cenário volátil.

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O mandatário chinês também destacou que, diante de novas circunstâncias e desafios internacionais, a China e o Brasil, membros do Sul Global, devem se manter posicionados do lado justo da história e desempenhar um papel construtivo ainda maior na reforma e no aprimoramento do sistema de governança global, sob os princípios da equidade e da justiça.

Segundo o presidente da China, “ambos os lados devem promover conjuntamente o desenvolvimento de alta qualidade de uma cooperação mais ampla entre os BRICS, traçar o rumo correto para a cooperação, manter o ímpeto da unidade, gerar mais resultados e escrever um novo capítulo de solidariedade e autossuficiência para o Sul Global”.

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Por fim, Xi disse valorizar “profundamente” o status internacional e a influência do Brasil, ressaltando o apoio da China ao Brasil “na salvaguarda de sua soberania e independência”, e destacando que “opõe-se à interferência externa e contribuirá para a manutenção da paz e da estabilidade regional e global”.

Presidentes chinês Xi Jinping e brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva reforçam cooperação bilateral em áreas estratégicas
Ricardo Stuckert/PR

Nas redes sociais, nesta segunda-feira, o presidente Lula confirmou ter tido uma conversa de mais de uma hora de duração com o mandatário chinês na noite anterior. A autoridade brasileira detalhou ter tratado sobre a implementação das sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento dos dois países, além de reiterar o propósito que os dois países compartilham referente à ampliação da cooperação em áreas estratégicas e de alta tecnologia. Incluem, portanto, inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes. 

“Ressaltei que o nosso governo segue comprometido com a diversificação de mercados e parceiros comerciais. Coincidimos a respeito da importância de acelerar as tratativas para um acordo MERCOSUL-China, que contemple as necessárias flexibilidades”, acrescentou.

Na publicação, Lula informou que também foram discutidos desafios da agenda global, como a escalada de guerras no mundo e seus impactos sobre a segurança alimentar e energética global, além das perdas humanas e materiais. Sobre a crise no Oriente Médio, afirmou que tanto ele quanto Xi concordaram à respeito dos “efeitos nefastos” sobre a economia mundial quando se restringem a livre navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb.

“Criticamos a incapacidade do Conselho de Segurança das Nações Unidas de responder adequadamente a essas crises e observamos que o próximo ou a próxima Secretária-Geral da ONU enfrentará um cenário internacional particularmente desafiador”, disse. “Nesse contexto, reiteramos o compromisso de Brasil e China com a defesa do multilateralismo e concordamos em manter estreita coordenação sobre esse e outros temas da agenda internacional no mais alto nível na ONU, no BRICS e outros fóruns”.