Xi Jinping reivindica Taiwan em conversa telefônica com Trump
Em meio à tensão com Japão, China ressalta direitos sobre território; presidente dos EUA receberá líder chinês ainda este ano e visitará Pequim em abril
Em conversa telefônica nesta segunda-feira (24/11), o presidente chinês, Xi Jinping, reiterou ao seu homólogo nos Estados Unidos, Donald Trump, que as reivindicações de Pequim sobre Taiwan continuam inalteradas. A declaração ocorre em um contexto de tensões regionais e crise diplomática envolvendo o Japão.
Xi afirmou a Trump que o “retorno de Taiwan à China” é “parte integrante da ordem internacional do pós-guerra”, construída a partir da luta conjunta entre Washington e Pequim. “China e Estados Unidos lutaram lado a lado contra o fascismo e o militarismo, e agora deveriam trabalhar juntos para salvaguardar os resultados da Segunda Guerra Mundial”, afirmou, segundo a agência Xinhua.
A China reivindica direitos históricos sobre a Ilha e promete a unificação, inclusive pela força se necessário. O governo democraticamente eleito de Taiwan rejeita essa posição e defende sua soberania. Apesar de não reconhecer Taiwan como Estado soberano, os EUA seguem sendo seu principal parceiro de segurança e fornecedor de armas.
Nas últimas semanas, Pequim trava uma disputa diplomática com o Japão após a nova primeira-ministra, Sanae Takaichi, sugerir que Tóquio poderia intervir militarmente caso a China atacasse a ilha. Segundo The Guardian, a declaração provocou queda no turismo chinês ao Japão, suspensão de importações de frutos do mar e cancelamento de eventos culturais bilaterais.
Takaichi também conversou por telefone com Trump, mas não detalhou o conteúdo da conversa. Apenas disse que foram discutidas a aliança Japão-EUA e questões do Indo-Pacífico.

Xi Jinping reivindica Taiwan em conversa telefônica com Trump
Official White House / Daniel Torok
Trump
Nas redes sociais, Trump considerou a conversa com Xi Jinping “muito boa” e contou que eles discutiram a guerra na Ucrânia, o tráfico de fentanil e um acordo para os agricultores. “Fizemos um bom e muito importante acordo para os nossos grandes agricultores, e só vai melhorar. Nossa relação com a China é extremamente forte!“, afirmou na plataforma Truth Social.
Trump afirmou ter aceitado o convite de Xi para visitar a China em abril, e disse que Xi visitará os EUA ainda este ano, sem dar datas. Ele não mencionou diretamente Taiwan, no entanto, segundo Pequim, ele reconheceu “a importância da questão de Taiwan para a China”.
O primeiro-ministro taiwanês, Cho Jung-tai, declarou anteriormente que um “retorno” ao controle chinês não está no horizonte. “Taiwan é um país plenamente soberano e independente. Para os 23 milhões de pessoas do nosso país ‘retornar’ não é uma opção – isso está muito claro.”
O telefonema entre Trump e Xi ocorre poucas semanas após o primeiro encontro presencial entre os dois líderes mundiais desde 2019. Em 30 de outubro, eles firmaram um acordo pelo qual a China suspendeu temporariamente restrições à exportação de minerais críticos, e os EUA se comprometeram a reduzir as tarifas aplicadas sobre produtos chineses. Pequim também concordou em ampliar a compra de soja americana.
O comércio de terras raras permanece central nas tratativas e, segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bensent, Washington espera concluir um acordo até o feriado de Ação de Graças.
Segundo a Xinhua, eles também discutiram a guerra na Ucrânia. Xi reiterou que Pequim apoia todos os esforços para alcançar a paz e instou as partes envolvidas a reduzir divergências.























