Para tentar conter protestos, Piñera promete reajustar salários e aposentadorias

Em seu pronunciamento, o mandatário ainda pediu 'perdão pela falta de visão' em não reconhecer a 'magnitude' da desigualdade social no país

Após quase uma semana de protestos consecutivos em diversas cidades do país, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, prometeu nesta terça-feira (22/10) um aumento nas aposentadorias, entre outras medidas sociais, na esperança de reverter o quadro de insatisfação da população com seu governo.

Além de modificações no regime de aposentadoria, as promessas do governo estão voltadas para a área da saúde, um aumento no salário mínimo, maiores impostos sobre maiores rendas e reformas parlamentares.

"Hoje, nos reunimos com os presidentes dos partidos políticos em La Moneda [sede do governo] para buscar aportar todos para a construção de um acordo nacional que nos permita impulsionar com urgência uma poderosa agenda social que responda às necessidades e esperanças de tantos chilenos", afirmou o presidente.


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Sobre o regime de aposentadorias, o pacote social anunciado por Piñera inclui um aumento de 20% na "aposentadoria básica solidária" - benefício de 110 mil pesos (R$ 622) concedido a quem não tem plano de previdência - e no subsídio aos aposentados que recebem menos de 325 mil pesos (R$ 1,81 mil).

Além disso, o presidente prometeu uma renda mínima garantida de 350 mil pesos mensais (R$ 1,95 mil) para todos os trabalhadores com jornada completa, valor maior que o salário mínimo, que é de 301 mil pesos (R$ 1,67 mil).

O pacote ainda inclui um mecanismo de "estabilização" das tarifas de eletricidade, anulando um aumento anterior de 9,2%; um imposto de 40% sobre pessoas físicas com renda mensal superior a 8 milhões de pesos (R$ 44,55 mil) - o teto atual é de 35% -; um seguro para cobrir despesas médicas; a redução dos salários de políticos e membros do alto escalão do governo; e a diminuição do número de parlamentares, além de limites a reeleições.

Palácio do Planalto/Flickr
Sebastian Piñera pediu "perdão pela falta de visão" em não reconhecer a a "magnitude" da desigualdade social no país

Em seu pronunciamento, o mandatário ainda pediu "perdão pela falta de visão" em não reconhecer a a "magnitude" da desigualdade social no país. No último domingo (20/10), Piñera havia dito que o Chile estava "em guerra" contra os manifestantes.

Ganhando tempo

Analistas, no entanto, criticaram as medidas anunciadas pelo presidente e disseram que o governo pode estar apenas "ganhando tempo" até que o movimento se canse e disperse os protestos.

Para o cientista político Pablo Jofre, ações de Piñera tem um caráter oportunista quando propõe "mudar tudo para que nada mude".

Em entrevista a emissora multiestatal teleSur, Jofre afirmou que o presidente "fala de um novo pacto social, mas com quem? Com os mesmos que nos levaram a esse sistema desigual? Não há possibilidade de mudança no país se se segue pensando que a mudança é um oportunismo frustrante e traiçoeiro".

Protestos

As medidas de Piñera vêm após quase uma semana de protestos, que foram desencadeados por um aumento de 30 pesos (R$ 0,20) nas tarifas do metrô em Santiago, mas logo abarcaram a insatisfação com a desigualdade social e o governo neoliberal do atual presidente.

Em reação às manifestações, Piñera decretou estado de emergência em 15 das 16 regiões do Chile, impôs toque de recolher em algumas zonas, especialmente Santiago, e colocou o Exército nas ruas. O presidente disse nesta terça-feira que só encerrará o estado de emergência quando a segurança for totalmente restabelecida.

Segundo o governo, ao menos 15 pessoas morreram durante os protestos. Foram registrados diversas ações de repressão por parte das forças de segurança chilenas. Durante as manifestações desta terça-feira, carabineiros e soldados reprimiram focos de protestos em diversas áreas centrais da capital.

Centrais sindicais, movimentos populares e organizações estudantis do Chile anunciaram também nesta terça-feira a convocação de uma greve geral entre os dias 23 e 24 de outubro contra o governo neoliberal de Piñera.

*Com ANSA e teleSur

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