Juristas chilenos denunciam Piñera por crimes contra a humanidade

Delitos cometidos por agentes do Estado incluem 'assassinatos, prisões ilegais, torturas físicas e psicológicas, [...] disparos contra manifestantes e mutilações oculares'

Três coletivos de juristas chilenos apresentaram nesta segunda-feira (04/11) uma denúncia ao 7º Tribunal de Garantias de Santiago contra o presidente Sebastián Piñera por "crimes contra a humanidade" devido aos episódios de repressão durante os protestos que tomam as ruas do país há mais de duas semanas.

As organizações autoras da denúncia - Defensoria Popular, Comitê de Defesa do Povo Irmãos Vergara Toledo e Cooperativa Jurídica - afirmaram que a ação legal contra Piñera "tem por objetivo que se investigue a participação criminosa do presidente como autor de crimes contra a humanidade [...] no marco de um ataque sistemático e generalizado contra a população civil que foi às ruas durante essas últimas semanas".

Ainda segundo os advogados, os delitos que foram cometidos por agentes do Estado - policiais e militares - incluem "assassinatos, prisões ilegais, torturas físicas e psicológicas, [...] disparos contra manifestantes e mutilações oculares".


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"O presidente da República e as diferentes autoridades policiais e militares, longe de controlar e condenar o alto número de atendados contra a população civil, declararam publicamente seu respaldo e felicitaram a atuação das forças militares", disseram os coletivos.

Reprodução
Juristas apresentaram ao 7º Tribunal de Garantias de Santiago denúncia contra Piñera

Repressão

As manifestações que tomam as ruas de diversas cidades chilenas há duas semanas começaram após o anúncio do aumento das passagens do metrô na capital. E mesmo depois de o presidente Sebastián Piñera ter voltado atrás e cancelado o aumento, os protestos continuaram. Além disso, os manifestantes reclamam do alto custo de vida, dos baixos salários e aposentadorias, do sistema de saúde e educação, que não é acessível a todos.


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Desde o início das marchas chilenas foram registrados diversos casos de repressão e violência por parte das forças de segurança. Os números oficiais dão conta de 1.132 feridos por balas, balas de borracha, armas de fogo e perda de visão, 3.535 pessoas presas, 76 acusações de tortura e 18 de violência sexual pela ação das forças de segurança nos protestos.

Entretanto, denúncias divulgadas nas redes sociais, em vídeos, jornais e rádios comunitários revelam que os números são ainda maiores.

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