Os super-espantalhos

Bonecos de palha "espantam" o crime nas ruas da capital

Marta Sandoval | Cosecha Roja

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Foto Dano, sob licença Creative Commons

Na Cidade da Guatemala, basta um golpe no vidro do carro para que o condutor saiba que, como dizem no Rio de Janeiro, "perdeu". No caso, o celular. Em 2011, 30 mil roubos de aparelhos foram reportados. Os bandidos não precisam dizer nada, e todos sabem onde os assaltos ocorrem: segundo um estudo da Câmara Empresarial da cidade, "na zona 10 opera um jovem gordo; na zona 09, três homens em motocicletas pretas; no Boulevard Liberación, assaltam sempre entre as 17h e 19h". 

Para combater os assaltos, o movimento Jovens contra a Violência decidiu fazer algo que chamasse a atenção. A ideia - que acabou sendo gestada em uma agência de publicidade - foi espalhar dez espantalhos vestidos com uniformes de polícia pela cidade, segurando cartazes com os dizeres "Atenção, aqui assaltam". 

Segundo o site Cosecha Roja, a princípio os guatemaltecos estranharam a ideia. Mas à medida em que a iniciativa fazia o giro das redes sociais e virava notícia em jornais e na TV, a reação mudava: os passantes abaixavam o vidro para tirar uma foto, pediam que os espantalhos fossem colocados perto das suas casas, e agradeciam a iniciativa. 

No início de fevereiro os bonecos foram recolhidos, e deixaram saudades na população. Muitos quiseram que eles voltassem - e os jovens que inventaram essa história se sentem divididos: ficam felizes por ter ajudado, mas tristes ao perceberem que as pessoas estão tão desesperadas que pensam que bonecos de palha podem ser a salvação.

O belo artigo pode ser lido na íntegra, em espanhol, no site Cosecha Roja. Veja também o vídeo sobre a volta dos bonecos às ruas da Cidade da Guatemala e uma entrevista com um dos ativistas do movimento Jovens contra a Violência.

 

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