Em 2050, será mais comum fazer sexo com robôs do que com humanos, estima futurólogo

A ascensão dos 'robossexuais': o que isso significará para os relacionamentos humanos? Para cientista, "sexo no mundo virtual é provavelmente muito, muito melhor"

Bryan Nelson

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Sexo vende, não há dúvidas quanto a isso. Mas sexo com robôs é uma ideia com a qual muitas pessoas podem demorar um pouco para se acostumar. Ainda assim, transar com robôs pode se tornar a revolução sexual do futuro, se levarmos em conta o atual ritmo do desenvolvimento tecnológico e o apetite humano por material erótico.

Flickr/CC/Alex LABeijo hi-tech também irá substituir o convencional?

Na verdade, até 2050, sexo com robôs pode se tornar mais comum do que sexo entre humanos de carne e osso. Esta é a previsão de um recente artigo intitulado "Relatório sobre o Futuro do Sexo: a Ascenção dos Robossexuais", do futurólogo Ian Pearson. No relatório, ele argumenta não apenas que o sexo virtual e o sexo com robôs superarão as relações íntimas entre humanos, mas também que esse avanço poderá ser positivo.

Contudo, isso não significa que a situação não colocará dilemas morais, emocionais e filosóficos para os humanos envolvidos. Se o sexo com robôs se tornar efetivamente o futuro da intimidade, ele certamente dará um novo significado ao temido status de relacionamento “É complicado”.

Embora o sexo com robôs possa não parecer muito desejável à primeira vista, ele se torna menos estranho se levarmos em consideração a grande variedade de brinquedos sexuais e substitutos eróticos já disponíveis para os consumidores. Os robôs sexuais são mesmo tão mais ultrajantes do que as bonecas infláveis, por exemplo? Na verdade, levando-se em conta o aumento no número de relacionamentos virtuais, o sexo virtual, pelo menos de forma rudimentar, já deixou de ser uma tendência de nicho e se tornou algo amplamente aceito. Afinal, o sexo em um mundo virtual é realmente tão diferente do sexo por telefone, ou das fantasias sexuais que se desenvolvem na imaginação de um indivíduo?

Flickr/CC/Nathan Adams

Mercado de produtos eróticos é um dos que mais crescem no mundo

Na verdade, sexo no mundo virtual é provavelmente muito, muito melhor.

A tecnologia

Para entender de fato a viabilidade desta iminente revolução sexual, é útil se atualizar sobre as tecnologias por trás dela. O futuro do sexo, de acordo com o relatório de Pearson, tem duas faces. Atualmente, estão sendo desenvolvidos robôs realistas (ágeis e equipados com uma cobertura macia, semelhante à pele humana, talvez até mesmo programados para se comportar de acordo com suas preferências pessoais) e, ao mesmo tempo, realidades virtuais interativas também mais realistas. É provável que os dois mundos eventualmente se unam, por meio do controle virtual dos robôs sexuais. Imagine uma tecnologia semelhante àquela retratada no filme de 2009 "Avatar", mas com uma reviravolta erótica.

Vídeo da banda Björk mostra relacionamento entre robôs:

Na verdade, já que uma inteligência artificial não precisa habitar nenhum robô específico, você pode levá-la consigo e utilizá-la em vários robôs. Você poderá alterar a aparência de seu parceiro ou parceira sem que para isso precise alterar sua personalidade, sua essência.

Grandes avanços em novas maneiras de se conectar virtualmente com outra pessoa ou com uma inteligência artificial já podem ser previstos. Luvas especiais já podem emular certos aspectos do toque e da textura da pele, por exemplo. Mas isso é apenas o começo.

Como explicado no relatório: "o que estamos vendo é apenas a aurora da realidade virtual, com headphones pesados e uma ampla variedade de estimuladores. Logo haverá óculos mais leves e, em seguida, lentes de contato ativas, além de sensores dérmicos capazes de gravar e reproduzir sensações. Por fim, teremos conexões diretas com o cérebro e, finalmente, seremos capazes de estimular diretamente a área septal para produzir um orgasmo ao simples toque de um botão. Enquanto isso, a tecnologia nos permitirá compartilhar experiências, habitar outros corpos ou até mesmo imobilizá-los ou controlá-los eletronicamente".

Relacionamento com robôs é uma constante na ficção cientifica| Flickr Jason

Se você já acha escandaloso o fato de o site de encontros para casados Ashley Madison ter sido hackeado, imagine a ameaça que a exposição dos dados destes dispositivos poderia representar em um mundo futurista de sexo virtual.

Como isso mudará os relacionamentos humanos?

Embora o sexo com robôs possa eventualmente superar o sexo com humanos, isto não é necessariamente algo ruim para a sexualidade humana. Pearson prevê que o desenvolvimento levará as pessoas a fazerem mais sexo e, talvez, até mesmo a conquistarem maior liberdade sexual, sem suas consequências negativas. O sexo poderia se tornar mais seguro, com a diminuição do medo de DSTs, e dar às pessoas uma válvula de escape para fantasias sexuais que podem não ser consensuais. Certas barreiras sociais que se antepõem à intimidade podem ser eliminadas. Idade, saúde e atração física não importarão em um mundo virtual ocupado apenas por avatares, por exemplo. Talvez os relacionamentos humanos passem a se focar mais na intimidade mental e espiritual, e não em atributos físicos.

 

Isto não significa que não haverá obstáculos morais e emocionais a serem superados. O que seria considerado traição no mundo do sexo virtual? Como você se sentiria se voltasse para casa e encontrasse seu parceiro ou parceira transando com um robô? E se o robô tivesse o rosto de um conhecido? E se tivesse o seu rosto, mas o comportamento de outra pessoa?

O amor e o sexo poderiam se tornar coisas cada vez mais separadas e independentes. Tribunais terão que tomar decisões sobre as consequências legais do uso da aparência de outra pessoa sem sua permissão.

À medida que as inteligências artificiais se tornem mais desenvolvidas, os humanos poderiam também acabar se apaixonando por elas. Quão seriamente deveríamos levar um relacionamento como este? E quanto a casamentos entre robôs e humanos? Qual seria o efeito do aumento do sexo com robôs sobre a taxa de reprodução humana?

Em Inteligência Artificial, de Steven Spielberg, Gigolô Joe é um robô programado para ser um amante perfeito:

Estas questões sociológicas e filosóficas são apenas a ponta do iceberg. Ainda estamos para ver se tudo isso acabará ou não saindo conforme as previsões de Pearson, mas não há dúvidas quanto ao poder e à criatividade da libido humana. Nossa predisposição ao sexo com robôs pode evoluir juntamente com a tecnologia, e as limitações tecnológicas podem ser de fato a única barreira real impedindo que a visão de Pearson se torne realidade.

É como se costuma dizer: If you build it, they will come*.

(*) Nota do tradutor: Referência a um filme de 1989 com Kevin Costner, “Campo dos Sonhos”, em que a frase era sussurrada ao protagonista por um fantasma que queria encorajá-lo a construir um campo de baseball em sua propriedade rural, a fim de que fantasmas de jogadores famosos pudessem jogar juntos novamente. Aparentemente, a frase se tornou uma espécie de dito popular nos Estados Unidos, querendo dizer algo como “Se você tomar a iniciativa, as outras pessoas vão se interessar e comparecerão”. “Come” aqui é um trocadilho, significando tanto “vir”, quanto “gozar”, de modo que a frase pode ser interpretada como “Se você construir, eles gozarão”.

Tradução de Henrique Mendes

Texto publicado originalmente no site Mother Nature Network

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