Brasileiros em Wuhan pedem em vídeo para ser repatriados pelo governo Bolsonaro

"Custa caro um voo desses. Na linha, se for fretar um voo, acima de US$ 500 mil o custo", disse o presidente na sexta-feira, dia 31, sobre a retirada dos brasileiros da região da epidemia de coronavírus

Depois de diversas manifestações negativas do governo brasileiro sobre a retirada dos brasileiros que estão em Wuhan, centro da epidemia do coronavírus na China, um grupo de brsileiros que vive na cidade gravou um vídeo pedindo que o governo de Jair Bolsonaro faça como Alemanha, Austrália, Coreia do Sul, Estados Unidos, Espanha, Filipinas, França, Índia e Japão - que já retiraram cidadãos de regiões em que há a epidemia na China ou deram início aos procedimentos necessários para fazê-lo. A França, inclusive, realiza neste domingo o segundo voo de repatriação de cidadãos do país que estavam na área.

Numa carta-aberta, datada de 30 de janeiro e publicada em vídeo nno Youtube na manhã deste domingo, os brasileiros, inclusive algumas crianças, citam a abertura do governo chinês em facilitar esse trâmite e outros casos de evacuação organizados pelo governo brasileiro, em 2010 e 2017.

"No momento em que essa carta está sendo escrita, não há, entre nós, quaisquer casos de contaminação comprovada ou até mesmo sintomas de infecção por coronavírus", dizem em trecho da carta. Os brasileiros aventam a possibilidade, inclusive, de cumprir a quarententa em outro país que não o Brasil, se necessário. A notícia da carta aberta foi publicada na manhã, logo após a divulgação do vídeo, no site da BBC Brasil.

Veja o vídeo:


Na sexta-feira, dia 31 de janeiro, pela primeira vez, Bolsonaro disse trabalhar com a possibilidade de realizar um voo para a retirada dos brasileiros da região. Ele, no entanto, reclamou do custo e do trâmite legal para fazê-lo.

"Custa caro um voo desses. Na linha, se for fretar um voo, acima de US$ 500 mil o custo. Pode ser pequeno para o tamanho do orçamento brasileiro, mas precisa de aprovação do Congresso", declarou, descartando a hipótese de editar uma medida provisória para agilizar o processo. Também disse que há o risco de que decisões judiciais impeçam, na prática, o estabelecimento de uma quarentena dos trasladados. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), após essas declarações, afirmou que o governo federal tem meios de lidar com o orçamento e que o Congresso se dispõe a acelerar o trâmite de uma legislação sobre quarentena.

Na terça-feira, dia 28/1, Bolsonaro chegou a dizer que tem dúvidas se de fato os cidadãos brasileiros deveriam ser resgatados de áreas onde há casos da doença.

"Pelo que parece, tem uma família na região onde o vírus está atuando. Não seria oportuno retirar de lá, com todo o respeito. É o contrário. Não vamos colocar em risco nós aqui por uma família apenas", afirmou, em referência a três brasileiros que estão em isolamento nas Filipinas após passarem por Wuhan.

O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, em coluna no Brasil de Fato, afirmou que Bolsonaro prejudica, dessa forma, o combate à epidemia, ao favorecer que as famílias tentem outras formas de deslocamento. Segundo ele, a falta de ação do governo dificulta "a ação de controle de barreira na possível chegada deles ao Brasil e a outros países".

Ainda segundo Padilha, o Brasil já atingiu o nível dois de risco de termos o coronavírus circulando no país, que é o chamado "perigo iminente". Nessa situação, segundo ele, "é fundamental que as ações de alerta aos profissionais de saúde aumentem, mas é fundamental também que os discursos de estigma, de intolerância e de obscurantismo de Bolsonaro diminuam".

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