Quinta-feira, 14 de maio de 2026
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta quinta‑feira (07/05) que o surto de hantavírus identificado em um navio de cruzeiro que agora navega rumo à ilha de Tenerife deve permanecer limitado e que não há risco pandêmico.

“Embora seja um incidente sério, a OMS avalia o risco para a saúde pública como baixo”, afirmou o diretor‑geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

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“A OMS está trabalhando com vários governos e parceiros na resposta, dentro desse marco. Nossas prioridades são garantir atendimento aos pacientes afetados, proteger e tratar com dignidade os passageiros que permanecem no navio e evitar qualquer nova disseminação do vírus”, continuou.

Maria Van Kerkhove, diretora interina do Departamento de Ameaças Epidêmicas e Pandêmicas da OMS, afirmou que a situação atual está contida e não guarda qualquer paralelo com a pandemia de covid‑19. “Isso não é coronavírus. É um vírus completamente diferente. Conhecemos esse patógeno — os hantavírus circulam há bastante tempo. Mas quero ser absolutamente clara: não é o início de uma nova pandemia”.

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Ela destacou que a transmissão não ocorre da mesma forma que a do coronavírus. “É algo que exige contato muito próximo, íntimo, como temos observado. E a maioria dos hantavírus nem sequer se transmite entre pessoas”.

O diretor de alerta e resposta da OMS, Abdi Rahman Mahamud, também reforçou que o surto não deve se expandir “caso as medidas de saúde pública sejam implementadas e haja solidariedade entre os países”.

“Trata‑se de uma epidemia limitada, restrita a um navio de cruzeiro; portanto, a ideia de enviar mensagens ao mundo inteiro e causar pânico não é necessária”, afirmou. “Acreditamos que isso não resultará em novas cadeias de transmissão”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que o surto de hantavírus identificado em um navio de cruzeiro que navega rumo à ilha de Tenerife deve permanecer limitado e que não há risco pandêmico
X/@DrTedros

Doze países notificados

Ainda assim, há expectativa de que novos casos sejam identificados. Até o momento, cinco casos foram confirmados a bordo da embarcação, além de outros três suspeitos. Três pessoas morreram: um casal holandês e uma alemã.

Contudo, segundo a operadora do navio, a Oceanwide Expeditions, 40 passageiros — além do corpo de um cidadão holandês que havia morrido anteriormente — desembarcaram na remota ilha britânica de Santa Helena em 24 de abril, antes de ser tomado conhecimento do surto de hantavírus. 29 deles não retornaram ao navio e seguiram viagem por outros meios.

Como o período de incubação pode chegar a seis meses, a OMS comunicou que 12 países foram notificados devido ao desembarque de seus cidadãos: Reino Unido, Canadá, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia, São Cristóvão e Névis, Singapura, Suécia, Suíça, Turquia e Estados Unidos. A Argentina enviará 2.500 kits diagnósticos a laboratórios de cinco países.

Entre os passageiros que desembarcaram, estava uma mulher holandesa que deixou o barco com o corpo do marido, falecido a bordo em 11 de abril. A mulher seguiu então para a África do Sul em um voo comercial e também faleceu após desmaiar no aeroporto de Joanesburgo.

Na Alemanha, uma mulher que, segundo as autoridades, teve contato com a alemã que faleceu no navio de cruzeiro no dia 2 de maio continua em observação no Hospital Universitário de Düsseldorf, no estado da Renânia do Norte-Vestfália. Ela foi evacuada para testes no dia 6 de maio. 

Entre outros casos, um paciente que chegou à Holanda por via marítima também testou positivo para o vírus. O Hospital Radboud, em Nijmegen, anunciou que o Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente da Holanda (RIVM) confirmou “que o paciente internado está infectado com o hantavírus”. O paciente já foi informado.

A doença é rara e normalmente transmitida por roedores infectados, sobretudo por meio de urina, fezes e saliva. O vírus Andes, presente na América do Sul, é o único hantavírus com transmissão documentada entre humanos.

Navio segue a Tenerife

O navio, de bandeira holandesa, deixou Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril, iniciando sua rota pelo Atlântico até Cabo Verde. Nesta quarta‑feira, a embarcação voltou a zarpar rumo ao norte, em direção a Tenerife.

De acordo com a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García Gómez, o navio de cruzeiro atracará no porto de Granadilla “dentro de três dias”.

A ilha turística conta com uma clínica especializada em epidemias. A tripulação e os passageiros serão examinados nesse local e, se necessário, receberão tratamento médico.