Aluno de doutorado é impedido de dar aulas em universidade da Alemanha por ser comunista

Decreto de 1972 determina que aspirantes a cargos públicos filiados a partidos devem pedir autorização para serviço secreto alemão para evitar 'extremismos'

Redação

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Kerem Schamberger, de 30 anos, formado em comunicação e aluno de doutorado na Universidade Ludwig-Maximilian (LMU, sigla em alemão), em Munique (Alemanha), está sendo impedido de lecionar na mesma instituição por ser comunista.

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Para ele, ser impedido de lecionar é anticonstitucional, visto que a Carta Magna alemã garante a livre escolha de uma profissão. Ao jornal diário Süddeutsche Zeitung, Shamberger afirmou, no último dia 21, que a situação pela qual ele está passando contribui para “demonizar os comunistas” e que é uma forma de intimidação para aqueles que pensam em se filiar ao DKP.

Reprodução/Facebook

Shamberger (segurando banner e bandeira à direita), porta-voz do DKP, durante marcha da legenda

“Conheço jovens que queriam entrar para o partido, mas que pensam duas, três vezes antes porque sabem as consequências que isso pode ter caso queiram fazer carreira no setor público”, disse.

À imprensa, as autoridades disseram que não podem dar detalhes do caso por questões de privacidade . A LMU e o orientador de Shamberger, Michael Meyen, já declararam apoio ao doutorando.

O chamado “Decreto dos Radicais” foi criado em 1972 durante o governo do chanceler Willy Brandt (1969 – 1974) e especifica que a fidelidade à ordem constitucional deve ser um requisito para trabalhar no setor público. A intenção, porém, quando o decreto foi criado, era principalmente acabar com a influência do comunismo na então Alemanha Ocidental.

Desde que a lei foi criada até 1991, cerca de 1,4 milhão de pessoas passaram pelo processo pelo qual Shamberger está passando agora. Só este ano, entre janeiro e agosto, 537 candidatos passaram pela checagem.

Atualmente, apesar de o decreto ainda vigorar, cada Estado do país o aplica de maneira diferente. Além disso, são cada vez mais raros os casos em que pessoas são impedidas de ocuparem cargos públicos por causa de suas filiações.

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