Fotógrafo registra retratos de mulheres da Coreia do Norte durante passagem pelo país; veja

Rafael Stédile visitou Pyongyang e Hyangsan: Foram retratos apressados, não havia muita chance de construir a foto com calma: além da barreira da língua, tínhamos um roteiro de certa forma cronometrado'

Rafael Stédile

Fui à Coreia do Norte acompanhando uma delegação da Via Campesina, que buscava conhecer e contatar organizações sociais norte-coreanas para um encontro de movimentos sociais na América Latina. A ideia de levar um fotógrafo era de poder, em certa medida, produzir outro discurso sobre um tema tão caricaturizado na mídia ocidental. Por isso, por um contato prévio com a embaixada norte-coreana no Brasil (aliás, o Brasil é o único país latino-americano com embaixada nas duas Coreias) permitiu que conseguíssemos um visto que não fosse de turista - acredito que entramos como pesquisadores.

No entanto, talvez por praxe, tivemos que nos submeter à mesma agenda de visitas oficiais que os turistas fazem. Ou seja, na semana em que ficamos lá, todos os dias visitamos algum lugar modelo: uma escola, um hospital, um centro esportivo, um museu. Tivemos, também, três aulas sobre o Juche, a ideologia criada pelo Kim Il-sung que tenta explicar o modelo social, político e econômico norte-coreano.

O ensaio das mulheres da Coreia do Norte foi um dos três que produzi. Enquanto aguardava nossas reuniões, aproveitava o roteiro oficial para fazer alguns. Foram retratos apressados, não havia muita chance de construir a foto com calma: além da barreira da língua, tínhamos um roteiro de certa forma cronometrado, em algumas situações não podíamos nos deter muito tempo em uma foto. Muitas vezes, não consegui nem perguntar seus nomes.

Algumas mulheres ficam tímidas, relutavam um pouco, mas aceitavam ser fotografadas. As mulheres norte-coreanas são muito bonitas, vaidosas, sempre bem arrumadas. Costumam se vestir de maneira mais vivaz, com mais personalidade do que os homens.

Quase todas as guias de museus e pontos turísticos eram mulheres, bem como vendedoras de souvenir. Além das visitas na capital Pyongyang, fomos ao interior do país (para uma visita oficial), onde eu e meu parceiro de viagem escolhemos uma vila de agricultores para fotografar. Ali vi 3 mulheres, uma já de idade mais avançada, trabalhando tranquilamente numa horta, numa vida simples, mas digna.

A sensação de fotografar na Coreia do Norte é que, com exceção de guias e pessoas acostumadas com estrangeiros, é como fotografar no interior do Brasil. Há certa timidez misturada com uma satisfação em conhecer um estrangeiro. Sem dúvidas, as pessoas transmitem uma ideia de serem muito simpáticas, receptivas e bem humoradas.

Veja as fotos de Rafael Stédile:


Pyongyang: guia turística do Mangyongdae, local de nascimento de Kim Il-sung


Pyongyang: guia turística do Arco do Triunfo


Pyongyang: guia turística da Torre Juche


Pyongyang: guia do Palácio das Crianças


Pyongyang: professora do curso de Juche


Coordenadora da escola de órfãos, em cidade próxima a Pyongyang


Responsável pela portaria da escola de órfãos, próxima a Pyongyang


Pyongyang: médica do hospital infantil


Pyongyang: tradutora da Associação de Cientistas Sociais da Coreia do Norte


Guia do Complexo de Ciência e Tecnologia da Coreia do Norte


Hyangsan: Vendedora de loja de souvenirs da Exibição Internacional da Amizade



Pyongyang: Guia do parque aquático de Munsu


Pyongyang: guia do Museu da Guerra Vitoriosa


Ex-jogadora de futebol e atual professora da Escola Internacional de Futebol de Pyongyang


Agricultora em cidade próxima a Pyongyang


Agricultora em cidade próxima a Pyongyang


Agricultora em cidade próxima a Pyongyang


Agricultora em cidade perto de Pyongyang

Comentários