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Justiça do Chile condena Igreja Católica a indenizar vítimas de abuso

Vítimas do ex-padre Fernando Karadima receberão cerca de R$ 2,4 milhões após décadas de exploração sexual; processo também envolve cardeais acusados de acobertamento

Lucas Berti

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O Tribunal de Apelações de Santiago condenou a Arquidiocese da capital chilena a indenizar em 450 milhões de pesos (cerca de R$ 2,4 milhões) três vítimas de abuso sexual, cometido pelo ex-sacerdote Fernando Karadima. A informação foi divulgada neste domingo (21/10) pelo jornal La Tercera

O processo havia sido revogado e voltou à pauta na última semana por meio de uma apelação feita pelos juízes Miguel Vásquez, Javier Moya e Jaime Guerrero.  Segundo o jornal, uma carta enviada pelo cardeal Francisco Javier Errázuriz a outro membro da igreja em 2009 teria motivado a decisão, uma vez que o documento detalhava a omissão diante dos abusos cometidos por Karadima. 

A ação foi movida por Juan Carlos Cruz, José Andrés Murillo e James Hamilton, que alegam terem sido abusados sexualmente durante décadas pelo clérigo chileno. Em setembro, o papa Francisco expulsou formalmente o ex-padre de suas atividades na Igreja, fato que aumentou a crise vivida pelos católicos chilenos em 2018

Em documento divulgado pelo La Tercera, os juízes falam que a Justiça chilena está “na mesma linha” do Vaticano em relação aos casos de abuso sexual. “A Justiça chilena e o Vaticano estão na mesma linha para acabar com a cultura de abuso e acobertamento, cultura da qual os cardeais são fiéis representantes”, diz. 

Além do processo direto contra Karadima, os três homens também acusaram Errázuriz e outro cardeal, Ricardo Ezzati, de acobertamento. Ao se confirmar, a indenização será a primeira reparação financeira feita pela Igreja do Chile diante do escândalo sexual que levou à renuncia de 34 bispos ao longo do ano. 

O caso Karadima 

O ex-sacerdote Fernando Karadima foi declarado culpado em 2011 por cometer abuso sexual a menores de idade nas décadas de 1980 e 1990. No entanto, em janeiro passado, o papa Francisco chegou a chamar de caluniosas as acusações de acobertamento.

Em abril, após enfrentar críticas de vítimas de Karadima, Francisco voltou atrás, reconhecendo o erro e falando da “dor e vergonha” pela situação envolvendo representantes católicos.

Em setembro, o clérigo foi expulso pelo papa, apesar de nunca ter sido condenado diante da prescrição de seus crimes. 

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