Projeto oferece curso de barista a refugiados

Objetivo é inserir essa população no mercado de trabalho e ajudar a reverter a realidade social que enfrentam

Redação

São Paulo (Brasil)

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A rede paulistana de cafeterias Sofá Café ampliou o leque de atuação da sexta turma de seu projeto Fazedores de Café, criado originalmente para dar apoio a jovens em situação de risco, com objetivo de educar e inserir a população de refugiados da cidade de São Paulo no universo dos cafés especiais.

O projeto, que desde 2014 já formou cinco turmas, decidiu ampliar seu alcance com a nova turma. “Depois que abri o sofá café senti a necessidade de criar alguma coisa que trabalhasse o social e o ambiental, mas sem deixar o café de lado. Eu não queria ser alguém que só vendesse café”, afirma Diego Gonzales, dono da rede. 

Em entrevista à Agência de Notícias Brasil-Árabe (ANBA) o atual coordenador do projeto, Paulo Gabriel Maciel da Silva reforçou a vocação do curso. “É uma questão social muito importante que nós observávamos no país. Direcionar essas pessoas que estão vindo de fora e procuram um emprego. Conseguimos ser receptivos e impactar de maneira positiva a vida delas”, disse. “A ideia é sempre ajudar alguém que esteja em situação de risco. Em outras turmas eram alunos de periferia ou que estivessem em medida socioeducativa”, explica o coordenador.

O treinamento, que começou em outubro de 2018, segue até abril de 2019, e oferece muito mais do que a técnica de extração de café, passando por temas como cultivo e produção. “Em geral, vamos à fazenda e temos aulas com produtores de café. Da ‘porteira pra fora’, falamos sobre torra, degustação de café e preparo da bebida”, diz o coordenador. “Falamos de atendimento e coisas particulares que só o Fazedores tem no Brasil: negócios de cafeteria, atendimento, ética e expressão corporal são aulas que oferecemos com especialistas”.

Aumentar a possibilidade de reverter a realidade social em que vivem os refugiados e ajudar a inseri-los no mercado de trabalho são os principais objetivos do treinamento que possui índice de 90% de empregabilidade. Para concluir o treinamento o projeto ainda oferece aos alunos a possibilidade de um estágio com duração de um mês, período em que os formandos trabalham em diversas cafeterias parceiras, o que os ajuda a criar familiaridade com o produto e com os clientes, além de colocar o aprendizado em prática. Os candidatos a ingressar no curso passam por uma pré-seleção realizada por ONGs parceiras. Na turma atual foram selecionados um aluno da Síria, um do Mali e uma aluna do Congo, além de duas brasileiras.

Para ajudar os refugiados a se relacionarem melhor com os clientes e colegas de trabalho, os alunos da sexta turma do Fazedores de Café também contam com aulas de comunicação.  “Essa nova turma é muito diferente das que eu já coordenei. Eles vêm de uma situação distinta. É uma relação muito mais de compreensão mesmo”, conclui o coordenador, que fez parte da primeira turma do projeto. 

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