Em fala machista, dalai-lama diz que sucessora feminina deve ser 'atraente'

Em entrevista à emissora britânica BBC, líder espiritual tibetano disse que se sucessora não for 'atraente' ninguém irá olhar seu rosto

O dalai-lama, líder espiritual tibetano, disse em entrevista ao canal britânico BBC divulgada nesta quinta-feira (27/06) que se uma liderança feminina viesse a sucedê-lo ela teria que ser "atraente", pois, do contrário, as pessoas não iriam querer ver seu rosto.

A declaração de cunho machista foi feita após a jornalista Rajini Vaidyanathan questionar se o tibetano confirmava uma afirmação que fez em 2015, na qual dizia que uma mulher sucessora teria que ter "boa" aparência, senão "não seria de muito uso".

"Se uma dalai-lama mulher fosse [faz uma careta], acho que as pessoas prefeririam não olhar para ela", disse. Indagado se a beleza interior é a mais importante, assim como prega a filosofia religiosa que defende, o líder budista respondeu crer que ambas são, mas que não há problema que uma mulher passe maquiagem no rosto.

Questionado sobre uma frase de sua autoria se posicionando contra migrantes refugiados, e que fora usada durante a campanha pró-Brexit, no Reino Unido, o líder tibetano defendeu a ideia de que os países europeus deveriam aceitar os refugiados , porém "em número limitado". Em 2016, o dalai-lama havia dito que "o objetivo deveria ser que os imigrantes retornem a seus países e ajudem a reconstruí-los. Você precisa ser prático. É impossível que todos venham". 

Wikimedia Commons
Dalai-lama afirmou que uma sucessão feminina deve ser "atraente".

"A Europa inteira vai eventualmente se tornar muçulmana? Impossível. Ou um país africano? Também impossível. Acho que eles ficam melhor na terra deles. Deixe a Europa para os europeus”, afirmou.

Entretanto, o líder espiritual defendeu a permanência do Reino Unido no bloco europeu e disse que é um "admirador" da União Europeia, pois, segundo ele, os acordos mundiais evitam grandes conflitos.

Tenzin Gyatso, nome do dalai-lama, nasceu no Tibet e se refugiou na Índia em 1959, onde vive desde então com vários seguidores tibetanos que saíram da China.

EUA

O dalai-lama criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse acreditar que há uma "falta de princípios morais" no mandatário. "Quando ele se tornou presidente disse 'América em primeiro lugar'. Isso está errado", afirmou.

Para ele, os EUA deveriam assumir uma "responsabilidade global", não adotar medidas contra o meio ambiente e piorar a situação na fronteira com o México.  

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