10% mais ricos acumularam quase 50% da renda do trabalho mundial, aponta OIT

De acordo com relatório, países mais pobres tendem a ter níveis muito mais altos de desigualdade salarial, algo que aumenta as dificuldades das populações vulneráveis

Um relatório publicado nesta quinta-feira (04/07) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre concentração de renda apontou que, no ano de 2017, 10% de trabalhadores mais ricos acumularam 48,9% do salário global, enquanto os 10% mais pobres receberam 0,15% de toda a renda do trabalho gerada no mundo.

Segundo o documento, os 20% de trabalhadores com rendas mais baixas, equivalente a 650 milhões de pessoas, ganham menos de 1% da renda global do trabalho. Em 2017, a parcela mais rica recebia, em média, US$ 7.475 (R$ 28.405 na cotação desta quinta-feira) por mês, enquanto a parcela pobre recebeu US$ 22 (R$83,60).

De acordo com o relatório, os países mais pobres tendem a ter níveis muito mais altos de desigualdade salarial, algo que aumenta as dificuldades das populações vulneráveis. Na África Subsaariana, metade dos trabalhadores que ganham menos recebem apenas 3,3% da renda do trabalho, em comparação com a União Europeia onde o mesmo grupo recebe 22,9% da renda total paga aos trabalhadores.

Para o economista do Departamento de Estatística da OIT, Roger Gomis, “a maior parte da força de trabalho global recebe salários surpreendentemente baixos e, para muitos que têm um emprego, isso não significa ter o suficiente para viver”.

Gomis acrescentou que “a remuneração média da metade inferior dos trabalhadores do mundo é de apenas US$ 198 por mês e os 10% mais pobres precisariam trabalhar mais de três séculos para ganhar o mesmo que os 10% mais ricos em um ano.”

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Em 2017, 10% dos trabalhadores mais rico receberam metade do salário global..

Índices nacionais

Os dados ainda indicam que, globalmente, a parcela da renda nacional destinada aos trabalhadores está caindo, de 53,7% em 2004 para 51,4% em 2017. Analisando a distribuição de remuneração média entre os países, constata-se que a participação da classe média diminuiu entre 2004 e 2017, de 44,8% para 43%. 

O lançamento da nova base de dados segue uma recomendação feita no relatório da Comissão Global da OIT sobre o Futuro do Trabalho. O estudo destacou a necessidade de novos indicadores para rastrear com mais precisão o progresso no bem-estar, sustentabilidade ambiental, igualdade e na agenda de desenvolvimento centrada no ser humano.

A nova análise também será usada para monitorar o progresso em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs, das Nações Unidas.

Rendimentos

Os países em que estes trabalhadores com as maiores rendas tiveram um aumento de pelo menos um ponto percentual na sua parcela de remuneração nacional inclui Alemanha, Indonésia, Itália, Paquistão, Reino Unido e Estados Unidos.

Para o diretor de Produção de dados da OIT e Unidade de Análise, Steven Kapsos, “os dados mostram que, em termos relativos, os aumentos nos rendimentos daqueles que ganham mais estão associados a perdas para todos os outros, com trabalhadores de classe média e baixa renda vendo um declínio na sua participação da renda."

Kapsos aponta que, “quando as participações de renda do trabalho dos trabalhadores de renda média ou baixa aumentam, os ganhos tendem a ser generalizados, favorecendo todos, exceto os que recebem mais.

A Base de Dados de Compartilhamento e Distribuição de Renda do Trabalho, desenvolvida pelo Departamento de Estatísticas da OIT, contém informações de 189 países. Ela é produzida através da maior coleção do mundo de dados de pesquisa de força de trabalho harmonizada.

A análise oferece dois novos indicadores para as principais tendências no mundo do trabalho, nos níveis nacional, regional e global. Um deles fornece os primeiros números internacionalmente comparáveis da parcela do Produto Interno bruto, PIB, que vai para os trabalhadores, em vez de capital, através de salários e rendimentos.

(*) Com Onu News.

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